Na Lisboa d’outrora,
falava-se de
janela para janela.
D. Zélia
pedia à vizinha:
- Tens
coentros Luísa?
- Tenho,
queres cá vir ou vou aí
levar-te, falamos
um pouco
e bebemos um copito?
E a conversa
decorria amena
e picante se
fossem novas,
ou sobre o
sermão do velho cura
se fossem
mais idosas.
Na Lisboa d’agora,
já não é mau darem-se os bons dias,
ao cruzarem-se no elevador,
e uma
olhadela rápida,
ao modo como
vão vestida(os)
E há quem
goste mais da Lisboa d’outrora,
do que a d’agora
e quem adore
as modernices d’agora
e deteste o
retrocesso d’outrora,
sem perceberem
que continuam a coexistir,
embora em
diferentes locais da cidade,
as duas
Lisboas: as dos bairros e as d’agora.
Jorge C. Chora
9/5/2026

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