domingo, 13 de setembro de 2026

EXPULSA DE VEZ A TRISTEZA


Se a tristeza em ti

se aloja,

se te asfixia,

se te tolhe o pensamento,

se não consegues

livrar-te dela, vai ao mar!

Confessa às ondas o teu sentir.

Uma delas, a mais sensível,

a que banha os amantes

e os esconde para estarem à vontade,

levá-la-á para longe,

dividi-la -á em partículas minúsculas,

e os peixes comê-la-ão, sem lhes fazer mal.

Respira a maresia, agradece à onda

e leva quem amas, para se unirem,

sem receio, pela onda benfazeja

e libertar-te de uma vez por todas,

da malévola tristeza alojada no teu peito.

                    Jorge C. Chora

                       13/9/2026

 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A SEDE DOS LÁBIOS

 


Tinha sede dos seus lábios,

assim com ela dos dele,

mas quanto maior a sede,

mais os lábios um do outro

se apoderavam entre si.

Em cada esquina saciavam

o desejo incontrolável,

de repetirem os beijos

e fizeram-no tantas,

 mas tantas vezes,

até chegarem à conclusão

de terem de os unir para sempre.

 

    Jorge C. Chora

     8/9/2026


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O COMBOIO PARA NENHURES


 

Três as linhas

férreas

existentes,

levando a destinos,

diferentes.

A primeira para

a frente de guerra,

a segunda para o progresso,

e a terceira para o regresso

dos caídos na frente.

O comboio da terceira via-férrea,

por cada alma transportada,

incluindo crianças, mães, jovens e velhos,

vai sempre a apitar,

num lamento por cada vida ceifada,

e tem o destino bem assinalado,

numa placa na locomotiva afixada,

em letras garrafais:

COMBOIO PARA NENHURES

    Jorge C. Chora

        2/9/2026

domingo, 30 de agosto de 2026

 

        A QUEDA E O FADO

Conheci o fado, num dia aziago.

Estatelei-me na calçada escorregadia,

mesmo à porta de uma casa de fados.

Deixei-me ficar deitado, escutando

o trinado das violas e o poema do fado.

Fiquei encantado e nem dei pela chuva,

a deixar-me todo encharcado,

e quando alguém me tentou levantar,

pedi-lhe para não o fazer, porque deitado,

não perdia pitada dos versos cantados,

umas vezes com vozes chorosas e outras,

bem alegres, só estranhando não ouvir palmas,

até ao momento onde elas estalaram como um trovão.

Não precisei d’outra queda para me tornar

um apreciador deste tipo de canção!

             Jorge C. Chora

               30/08/2026

sábado, 29 de agosto de 2026

 


As CALÇADAS LISBOETAS

Nas calçadas polidas

e muito escorregadias,

da Lisboa das sete colinas,

há quem caia todos os dias.

Mas há umas quedas

muito esquisitas

e assaz suspeitas,

quiçá premeditadas,

porque caem nos braços

do amado ou da amada,

e de lá só saem muito contrariados(a).

      Jorge C. Chora

         29/8/2026

 

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

 


 

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NUNCA É TARDE

Da juventude nem todos saudades têm,

pois foram muitos a viveram-na

somente como verdadeiros adultos.

E as saudades vedadas lhes estão,

porque são memórias para esquecer

e nunca para recordar com saudades.

Não critiquem os banidos da juventude,

por tentarem vivê-las na idade madura,

porque nunca é tarde para se ser jovem.

                 Jorge C. Chora

                  27/8/2026

              

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 

O EMPEDRADO DO CONVENTO

No empedrado do convento

muitos foram os passos,

ali dados pelos frades,

pelos nobres e burgueses,

às sécias e peraltas

d’ágora e d’outrora,

revivendo as personagens

de Marcelino Mesquita.

Mas atualmente,

no empedrado circulam

as deusas nacionais e estrangeiras,

cheirando a protetores solares,

douradas pelas carícias do sol,

tão belas quanto as

que no olimpo vivem.

São verdadeiros anjos e demónios,

entrando e saindo do convento,

trazendo para junto dele

o paraíso terreal e o perdão divino,

acompanhados pelo repicar dos sinos

e embelezado pelos concertos de órgãos.

     Jorge C. Chora

 

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