quarta-feira, 10 de junho de 2026

O FADO DA MALVADA

 

Sofia era bela

e ela sabia

quão bela era.

João sofria

sempre que a via,

pois ela nunca ria,

muito menos lhe sorria.

João não conseguia

sequer respirar,

ao vê-la passar.

Ela sabia

o mal que lhe fazia

e nisso se comprazia

ao ver a sua agonia.

Tão bela quanto malvada,

pelo canto do olho o observava,

enquanto nua se passeava

no terraço da sua casa,

fazendo-o suspirar,

sem respirar, até desmaiar

e morrer com falta de ar.

Ao vê-lo prostrado,

quis certificar-se pelo dano causado.

Abeirou-se da borda do terraço,

quando um vento de João aliado,

a empurrou borda fora

e acabou por morrer,

nua e abraçada,

ao homem que tinha matado.

    Jorge C. Chora

       10/7/2026

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