quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

AMÉLIA E A CHUVA


Ao pressentir a chuva,

Amélia transbordava de alegria.

Corria em busca

dos seus vasos de plantas,

 sequiosos d’agua

e colocava-os à sua porta.

Abriam-se as pétalas à benfazeja chuva

e Amélia ria até às lágrimas,

logo lavadas pela sua irmã chuva.

Despia-se no pátio interior,

tomava banho ao luar,

lavando a sua farta cabeleira,

oferecendo-se toda nua,

à carícia bem-vinda

da água gelada da chuva.

Demorava-se,

livrando-se da sujidade

do corpo e da alma.

Mas o melhor de tudo,

era não ter de ir buscar água

à longínqua fonte,

vergada ao peso das grandes bilhas de barro.

Há meses que a água lhe tinha sido cortada:

o dinheiro não chegava para tudo.

                 Jorge C. Chora

                 11/12/2025

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