Ao
pressentir a chuva,
Amélia transbordava
de alegria.
Corria em
busca
dos seus vasos
de plantas,
sequiosos d’agua
e
colocava-os à sua porta.
Abriam-se as
pétalas à benfazeja chuva
e Amélia ria
até às lágrimas,
logo lavadas
pela sua irmã chuva.
Despia-se no
pátio interior,
tomava banho
ao luar,
lavando a
sua farta cabeleira,
oferecendo-se
toda nua,
à carícia
bem-vinda
da água
gelada da chuva.
Demorava-se,
livrando-se
da sujidade
do corpo e
da alma.
Mas o melhor
de tudo,
era não ter
de ir buscar água
à longínqua
fonte,
vergada ao
peso das grandes bilhas de barro.
Há meses que
a água lhe tinha sido cortada:
o dinheiro
não chegava para tudo.
Jorge C. Chora
11/12/2025

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