AZARES
ACONTECEM!
Na ida para casa, à tardinha, Barrela, um
homem pouco recomendável, encontrou uma pessoa caída no passeio. Olhou em redor
e tornou a olhar. Assegurou-se de que não havia ninguém por perto.
Observou
atentamente o homem. Não dava sinais de vida. Na mão tinha um telemóvel e ao
lado, um recipiente de detergente.
Barreira
esfregou as mãos. De uma vezada conseguia um telemóvel e um detergente de
graça.
Muito
devagar, não fosse o homem dar conta, foi-lhe tirando o telemóvel da mão. Não
sentiu a mínima resistência. A seguir, apoderou-se do recipiente e levou-o para
casa.
Ao chegar a
casa, com múltiplas tarefas para executar, lembrou-se de que tinha a máquina da
roupa repleta de vestuário da semana. Decidiu começar pela lavagem das peças,
principalmente camisas, pois queria de colocá-las a secar, devido ao bom tempo que
fazia.
Despejou uma
boa dose do detergente e foi tratar dos outros assuntos que tinha de tratar.
Enquanto a
máquina trabalhava, decidiu ir ao bar perto de sua casa
e beber uma
cerveja ao balcão. Ao olhar para o lado ouviu distanciado dois ou três lugares,
um homem a queixar-se:
- Bebi uns
copos a mais, tinha ido buscar ácido sulfúrico para a oficina, estatelei-me no
passeio enquanto falava ao telemóvel e perdi os sentidos. Quando acordei,
tinham-me roubado o telemóvel e o ácido!
Barrela estremeceu. Afinal o homem não estava
morto! que história seria aquela do ácido?
- questionou-se.
No
burburinho típico do um bar, ouviu-se tocar uma corneta. Era o toque do
telemóvel do mecânico.
Identificada
a proveniência do toque, o mecânico levantou-se, verificou ser o seu telemóvel
pelos primeiros números gravados,
Levantou-o
pelos colarinhos e esmurrou-o.
Barrela
fugiu a sete pés e a primeira coisa que fez foi verificar a roupa que acabara
de ser lavada: não havia uma única camisa que não estivesse esburacada!
JORGE C.
Chora
13/12/2025

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