O
TROCA-TINTAS
OU
O FILHO DE UM COMBOIO DE BARREGÃS
Era tido como boa pessoa,
um pouco trapalhão,
sem mais nenhum senão.
A florista adora-o,
o tasqueiro também.
Todos lhe diziam amém,
mas sabiam não ser tolo,
mas só um pouco aldrabão.
Vendeu-lhe a florista uma rosa,
a mais fresca e viçosa,
e preparou-lhe um ramo catita,
enfeitado com uma bonita fita,
por uma quantia bem barata.
Deu-lhe o Troca-Tintas dois euros e meio,
recebeu a dádiva com a mão direita,
estendendo a esquerda à espera de troco.
- Fiz-lhe um preço especial e quer troco?
- Sim, dei-lhe vinte, portanto…
Não acabou a frase o Troca-Tintas,
levou com o ramo nas fuças
e o aplauso do tasqueiro,
pois percebeu que Troca-Tintas,
recebia sempre troco das taças,
de cinquenta cêntimos,
dizendo ter dado um euro.
A partir desse momento,
todos chamaram ao Troca-Tintas,
filho de um comboio de barregãs!
Jorge
C. Chora
26/7/2026
