domingo, 26 de julho de 2026

O TROCA-TINTAS OU O FILHO DE UM COMBOIO DE BARREGÃS

 

                O TROCA-TINTAS

                             OU

O FILHO DE UM COMBOIO DE BARREGÃS

 

Era tido como boa pessoa,

um pouco trapalhão,

sem mais nenhum senão.

A florista adora-o,

o tasqueiro também.

Todos lhe diziam amém,

mas sabiam não ser tolo,

mas só um pouco aldrabão.

Vendeu-lhe a florista uma rosa,

a mais fresca e viçosa,

e preparou-lhe um ramo catita,

enfeitado com uma bonita fita,

por uma quantia bem barata.

Deu-lhe o Troca-Tintas dois euros e meio,

recebeu a dádiva com a mão direita,

estendendo a esquerda à espera de troco.

- Fiz-lhe um preço especial e quer troco?

- Sim, dei-lhe vinte, portanto…

Não acabou a frase o Troca-Tintas,

levou com o ramo nas fuças

e o aplauso do tasqueiro,

pois percebeu que Troca-Tintas,

recebia sempre troco das taças,

de cinquenta cêntimos,

dizendo ter dado um euro.

A partir desse momento,

todos chamaram ao Troca-Tintas,

filho de um comboio de barregãs!

 

           Jorge C. Chora

             26/7/2026

quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEMÓRIA E ESQUECIMENTO

 


Há quem se queira lembrar

e esqueça, por mais empenho

e esforço colocado na tarefa,

mas também há quem se lembre

 e finja ter esquecido,

pois não lhes convêm recordar,

o pouco conveniente em reavivar

a memória do acontecido.

          Jorge C. Chora

              22/7/2026

terça-feira, 21 de julho de 2026

A DIVINA

 

         

Em silêncio a olho,

com respeito,

a contemplo, a admiro;

a vejo à transparência,

desnudo a sua alma

nua e pura,

a sua silhueta,

e a sua pele,

de seda feita.

Em silêncio permaneço,

incapaz de uma só palavra pronunciar

e o silêncio sagrado romper,

limitando-me a inspirar

o aroma proveniente da sua

divina púbis e dos seus celestiais seios.

Laudater Dominus pro opera sua!

Jorge C. Chora

  21/7/2026

NEIDE UMA MULHER GUERREIRA

 


Nasceu à beira-mar,

numa casa de taipa,

e chão de cimento grosso.

Acordar com cheiro a maresia

 e o doce quebrar das ondas no areal,

foi o único privilégio a que teve direito,

embora rodeada e suada,

 com o calor de uma caterva de irmãos ao redor.

Fez-se mulher aos treze,

mãe aos catorze,

e novamente de gémeos aos dezasseis.

e mais um, para quase chegar a uma meia dúzia.

Para sobreviver e cuidar da família,

exerceu trabalhos como ajudante de pedreiro,

garçonete, segurança de boîte,

empregada doméstica, cozinheira

 e finalmente empresária.

Através de site intitulado Bate-papo,

conheceu um anjo da guarda,

uma amiga de coração e confidente.

Hoje orgulha-se de ter sete netos e uma neta,

Vive em Portugal, é empresária,

ama o Brasil e Portugal,

e orgulha-se da sua companheira fiel,

amiga do coração, com quem partilha cama e cuia.

                Jorge C. Chora

                   21/7/2026

 

sábado, 18 de julho de 2026

O TEMPO PAQUIDÉRMICO

 

Vivemos hoje num tempo

“Paquidérmico”,

Inscrito na era Cenozoica.

O mundo é uma bola de porcelana,

em que alguns paquidermes,

o destroem a seu belo prazer,

delapidando riquezas,

remontando entre 250 e 550 milhões de anos,

não renováveis na nossa era,

como o petróleo e o gás natural.

Mais grave do que isso,

os paquidermes comportam-se,

pior do que os antepassados do homem sapiens,

já que os animais matavam por necessidade,

e os atuais paquidermes, por simples prazer,

poder e maldade, criando órfãos, viúvas, miséria

e estropiados físicos e mentais por onde passam.

Os paquidermes, mais cedo ou mais tarde,

terão de ser julgados e condenados.

Serão recordados por séculos,

como os nazis hoje são,

mas julgam poder eclipsar as suas malfeitorias,

acabando com o Tribunal Penal Internacional!

                    Jorge C. Chora

                       18/7/2026

CIDA

 


Nasceu na roça,

nos quintos do inferno,

em habitação

cujo chão,

era atapetado

de bosta.

Veio ao mundo

sem médica

nem parteira,

roxa e semimorta,

mas sobreviveu,

recusou-se a morrer.

Maria rapaz,

fugiu da escola

como o diabo da cruz.

Empregos teve mil,

no Brasil e em Portugal,

uns melhores do que outros,

e nunca mostrou medo de trabalhar.

Só se borrou toda,

e mil vezes merda disse,

quado a sua cama deslizou,

para a frente para trás,

julgando que o cão do demo

a queria levar, quando afinal,

era só um terramoto aqui em Lisboa.

Cida não desdenha os países

onde a vida ganha e diz com orgulho,

ter duas pátrias que ama:

- Brasil e Portugal

 

      Jorge C. Chora

          17/7/2026

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

 


                                                            Imagem de IA

O AMOR É UM ICOSAEDRO

O amor é um icosaedro irregular,

tantas são as faces particulares,

da paixão à luxúria, incluindo

a ternura.

Umas vezes paraíso outras inferno,

tudo acaba com sussurros aos ouvidos,

 seios eretos,

 o perfume das vaginas emanados,

e a ansiada e doce ereção,

culminado na fusão dos corpos

e num amo-te, com a voz trémula,

num saciar mútuo do desejo e de amor.

            Jorge C. Chora

               9/07/2026


segunda-feira, 6 de julho de 2026

O CASAMENTO DE JÚLIA

 


Em tempo de lua nova,

Júlia enlouqueceu.

Casou-se sem convidados,

sem copo d’agua,

sem ter ido à igreja ou

à conservatória.

O noivo tinha um palmo

d’altura e chamava-se Gordons,

Gin Gordons!

Fora trocada por outra e despedida,

Limitou-se a tirar as cuecas

e a dizer ao ex-patrão:

quando tiveres saudades cheira-as!

Quando ele suplicou pela sua volta,

ela respondeu-lhe:

- Já tenho um marido e ele não me deixa voltar!

             Jorge C. Chora

                6/07/2026

domingo, 5 de julho de 2026

GRAÇA E DESGRAÇA

 


Há quem ache graça

a causar a desgraça,

sem nenhuma graça,

 à alheia desgraça.

Queira o Senhor,

ou Belzebu,

condoer-se do desgraçado,

a quem causaram a desgraça,

e aos responsáveis,

caírem na desgraça

para acharem a mesma graça,

à sua desgraça.

   Jorge C. Chora

     5/07/2026

quinta-feira, 2 de julho de 2026

É ASSIM OU NÃO É ?

 

É ASSIM OU NÃO É?

Num mundo centrado

sem ser no Humanidade,

tudo se aceita,

desde a subalternização do bem,

à normalização do mal!

 

       Jorge C. Chora

         2/07/2026