A QUEDA
E O FADO
Conheci o fado, num dia aziago.
Estatelei-me na calçada escorregadia,
mesmo à porta de uma casa de fados.
Deixei-me ficar deitado, escutando
o trinado das violas e o poema do fado.
Fiquei encantado e nem dei pela chuva,
a deixar-me todo encharcado,
e quando alguém me tentou levantar,
pedi-lhe para não o fazer, porque deitado,
não perdia pitada dos versos cantados,
umas vezes com vozes chorosas e outras,
bem alegres, só estranhando não ouvir palmas,
até ao momento onde elas estalaram como um trovão.
Não precisei d’outra queda para me tornar
um apreciador deste tipo de canção!
Jorge C. Chora
30/08/2026

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