Tem o velho rio
memórias de espantar,
recordando ter sido via de intenso
comércio, pelos locais por onde passou.
Alimentou a pesca e as populações,
e não se esqueceu da extração de metais preciosos, nas
suas margens.
De fedores também se recorda
nomeadamente das velhas calhandreiras,
despejando os calhandros
e os seus conteúdos abjetos no seu leito.
As suas águas são sulcadas por fragatas,
e ainda são o ganha-pão de muitos pescadores
e mariscadores.
As caravelas, naus e galeões aportando
em Lisboa, recheadas de riquezas
do Oriente e não só, são a sua memória
do período áureo.
Lembra-se das aves raras tropicais,
dos animais de grande porte,
com um chifre à frente e outro com
uma tromba, o rinoceronte e o elefante.
Foi pista de hidroaviões e de pesquisas.
Banhou diferentes povos,
antes do País ser Portugal.
Presenciou lutas renhidas,
assistiu às largadas de armadas,
partindo à descoberta do mundo,
e ao seu regresso, repleto de boas novas.
No século XVIII ajudou a destruir Lisboa
e assistiu ao seu renascer.
Ainda hoje é diariamente cruzado
por velhos e novos cacilheiros,
num vai e vem contínuo, entre as suas margens,
e é visitada por monstros marinhos,
transportando milhares de turistas.
O próprio rio anda feliz por acolher,
o regresso dos seus amigos golfinhos,
deliciando-se com as suas brincadeiras alegres
e por poder alimentá-los com fartura.
Bem a cantam os poetas e os fadistas,
escritores e amantes de um rio milenar,
capaz de despertar paixões à medida que o sol se deita
e os amantes se abraçam e beijam com fervor,
num prenúncio da fusão dos corpos e das almas.
Jorge C. Chora
8/11/2026

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