domingo, 25 de outubro de 2026

A CAPRICHOSA

 

Quem uma caprichosa ama,

julga corresponder,

aos seus próprios desejos,

 e à satisfação dos caprichos da sua amada.

Quando se apercebe de não serem desejos,

mas simples exigências,

é tarde,

pois sejam elas quais forem,

só pensa em satisfazê-las.

 

      Jorge C. Chora

         25/10/2026

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A CHINELA E A COLHER DE PAU

 


Se a chinela e a colher de pau,

não fazem, em geral, um doutor,

e são desaconselhados,

já a um jovem malcriado,

pouco dado a “trabalhar”,

adverso à ternura e ao carinho,

podem ajudá-lo a tornar-se

um homem respeitador,

capaz de beijar a mão e tratar

as mulheres por minha senhora,

quiçá, tornar-se um verdadeiro senhor.

Como todos os atos têm uma consequência,

poderá evitar ir parar à prisão,

e de lá sair pior do que entrou,

podendo tal facto acontecer também,

a quem nunca apanhou com a chinela,

muito menos com a colher de pau

e se tornou um doutor, mas cometeu

algo punível com pena de prisão.

        Jorge C. Chora

          21/10/2026

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

QUEM ME DERA

 

Quem me dera ser vento,

 tornar-me numa brisa fresca

e refrescar-te em dias quentes.

Quem me dera ser vento,

tropical e quente nos dias frios,

trazer-te o conforto e afagar-te,

sem ser visto, mas sentido.

Saberes que sou eu e mais ninguém,

o único a abraçar-te,

quando ofereces o teu corpo às minhas carícias,

o teu aroma a morango e sabor a chantilly.

 

            Jorge C. Chora

               19/10/2026

 

 

domingo, 18 de outubro de 2026

O AGIOTA E O NOVO-RICO

 

Na pança, o vento

do esgoto fedorento,

na cabeça, o fruto

do resíduo do intestino.

Num braço um Rolex

e no outro, um mais

caro para verificar

se aquele batia certo,

com a hora de ir ao agiota,

seu cérebro e testa de ferro,

os juros daquela semana

levantar.

Veio a crise e ninguém pagou,

os investimentos caíram a pique.

Descobriu nada ter,

e passar a ser funcionário do agiota,

o verdeiro rico que não usava anéis,

e no pulso um simples Casio de 5 euros.

Morreu de apoplexia o novo-rico,

e quando o seu caixão debaixo das janelas

transitou, ninguém uma lágrima derramou

e o agiota nem à janela assomou.

           Jorge C. Chora

           18/10/2026

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

À MANEIRA DE MARTINHO

 


Tal como Martinho da Vila,

também quero esconder-me

debaixo dessa saia, não para fugir

ao mundo, mas para louvar quem

ao mundo me trouxe, me protegeu

de todos os males, me alimentou

com o seu próprio corpo.

Tal como Martinho, conto com ela,

porque sei que o que me quiserem

 fazer, ela me defenderá, do céu

à terra virá e só no seu ventre não

me colocará, pois, morta está,

mas o seu amor me protegerá.

       Jorge C. Chora

         16/10/2026

 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

ALGUMAS VIELAS DE LISBOA


Em vielas da Lisboa d’outrora,

pairava no ar o cheiro da sardinha assada,

do bacalhau na brasa

e nas casas finórias, o do cozido.

Aos aromas culinários, em cada

canto ouviam-se fados, de faca

e alguidar, de traições e desgostos,

por fadistas roufenhos e amadores.

Havia exceções, fadistas celestiais,

morando hoje no céu onde deliciam

anjos, arcanjos, serafins e querubins.

As esquinas eram pouso de gingões,

de cabelo empastado de brilhantina,

gravata às bolinhas, sapatos pontiagudos,

dotados de uma grande unha,

no dedo mindinho, com a qual sacudiam

a cinza dos cigarros e coçavam o nariz,

enquanto vigiavam as “suas” meninas”,

chamando fregueses e o preço a pagar.

Sucediam-se as cabeçadas traiçoeiras,

com os clientes tentando safarem-se,

depois de se servirem e quererem

escapar sem honrar o preço combinado.

Aqui e acolá vislumbravam-se guardas,

recorrendo ao sopapo e à cacetada

quando se deparavam com rixas e era

necessário acalmar os desordeiros.

Assim decorria a vida em certas vielas

de Lisboa, por valdevinos e “bons vivants”

frequentada.

 

             Jorge C. Chora

 

sábado, 10 de outubro de 2026

AS REGRAS

 


Há sempre regras,

mesmo quando se diz,

não as haver.

O simples enunciado,

 já é uma regra

e das mais perigosas.

Cada um faz as suas

e os golpes baixos,

podem partir dessa 

sacrossanta regra,

de não haver regras

ou melhor dizendo,

todas elas são válidas,

porque obedecem

à regra de não existirem regras!

     Jorge C. Chora

       10/10/2026

 


quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A LICÃO DO CÁGADO

 


Alberto percorreu desertos,

vales. Montanhas, campos cobertos

 e outros abertos.

Conviveu com minorias

e maiorias,

procurando as bases,

e a filosofia da autonomia.

Ao chegar a casa.

o cágado que herdara da avó,

veio ter consigo e cumprimentou-o:

Nos seus sapatos tocou três vezes,

deu a volta e desapareceu.

Alberto abriu a boca,

pois fora tão longe

quando tinha um mestre

na sua própria casa: o cágado.

Criara uma carapaça que o protegia,

ouvia tudo o que se dizia,

mas seguia o seu caminho,

lento e seguro

e não desdenhava companhia,

mas podia viver sem ela,

Alimentava-se frugalmente

e já vivera mais de setenta anos,

sem doenças nem contratempos!

 

        Jorge C. Chora

          8/10/2026

terça-feira, 6 de outubro de 2026

AS SETE PEDRAS

 


Sete pedras atirei ao ar

e não sei onde foram parar!

oxalá venham a acertar,

em quem nos quer matar

 

Não sei onde foram parar

as pedras que atirei ao ar,

mas anseio conseguir acertar,

sem sequer um canalha falhar.

 

Só quero nos sapatos colocar,

uma pedra e conseguir provocar,

a cada um, uma dor ímpar

e a sétima para um sicário com azar.

 

              Jorge C. Chora

                6/10/2026

 

domingo, 4 de outubro de 2026

O CALOR DO SOL

 

O sol,

 cheio de calor,

desceu à terra.

em busca,

de arrefecimento.

Deslisou por uma

 encosta repleta de neve

e mergulhou num lago

gelado.

Agradeceu-lhe o lago,

 o calor recebido,

e o sol, o fresco recebido.

As terras sem sol congelaram

e a vida morreu nesses locais.

Quando ao lago aquecido,

não houve vivalma,

a aproveitar o calor,

porque nenhum habitante sobreviveu,

ao aquecimento extremo,

pelo sol fornecido.

Jorge C. Chora

          4/10/2026