domingo, 13 de janeiro de 2019

CABELOS AO VENTO




Ondula a cabeleira
feita seara
oferecida ao vento,
e a sua dona murmura:
- Muito obrigado meu amigo
por me acariciares com tanta ternura,
refrescares as minhas ideias,
perceberes as minhas opções
e consolidares as minhas decisões.
E o vento
enche-se de brios,
redobra as carícias,
propicia afagos,
 e diz:
-Para si minha linda
mulher-menina,
ofereço-lhe esta borboleta
azul e amarela,
e colocou-a na
cabeleira sedosa e bela
da sua linda mulher-menina.

Jorge C. Chora
13/01/2019

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

MEDALHAS DE CHOCOLATE




A minha neta Caetana, não dá ponto sem nó. Embora tenha feito três anos no dia 6 de janeiro de 2019, este episódio que vou  contar  é muito anterior a esta data.
Farta de observar as medalhas do Francisco, irmão mais velho de oito anos, feitos na altura para aí há uns quatro meses, olhou-o bem nos olhos e disse:
-Quando for mais velha, também vou ganhar medalhas, mas têm de ser de chocolate para eu as comer!
Ora tomem!

Jorge C. Chora
8/01/19

O REALEJO



Encravou-se a manivela,
parou a música
e por mais que se
tente,
o realejo deixou de soar:
calaram-no à cacetada
e ninguém o consertou.

Querem os que o avariaram,
reprogramar o realejo,
arranjar a manivela
e pô-lo a tocar marchas,
acompanhadas pelo rufar de tambores
e do ressoar de passos,
 ao ritmo do “em frente marche!”

E quem gosta do simples
fogo de assar castanhas,
do cheiro a fumo e dos pregões,
treme de horror,
só de pensar em escutar,
em vez do realejo,
o rufar dos tambores
e o ressoar dos passos
ao ritmo do “em frente marche”.

Jorge C. Chora

8/01/19




terça-feira, 1 de janeiro de 2019

SOMOS AGRIDOCES




Somos todos agridoces,
às vezes mais acres
 do que doces,
 outras menos acres
e mais doces,
daí o sermos agridoces.

Ai de quem a tempo inteiro
queira ser só acre ou o seu oposto:
finge e finge mal,
é um meia- leca,
uma imitação de gente,
porque gente não é,
nem se comporta assim.

Às vezes somos mais acres,
outras menos acres e mais doces,
daí o sermos todos agridoces.

Jorge C. Chora 

      1/1/2019

domingo, 23 de dezembro de 2018

DOCE PECADO



 Ela é toda
um doce pecado,
dos carnudos
e belos lábios,
às longilíneas
pernas,
até ao sonho
de tê-las
entrelaçadas à cintura.
Ela é um doce pecado,
um desejo de Ano Novo,
uma prenda de Natal
que fica na mente
e nunca se recebe
para quem tem,
mais olhos do que barriga.
HELÁS!

Jorge C. Chora
23/12/18



sábado, 22 de dezembro de 2018

O NAMORO DA LUA A LISBOA


Baila a lua entre as ameias
do Castelo de S. Jorge,
espreitando a Lisboa natalícia,
desnudada à luz das ornamentações,
deixando ver e ouvir,
as gentes poliglotas que a usufruem,
gingando ao ritmo dos seus diferentes linguajares
reagindo às manifestações musicais
que se ouvem e apreciam,
nas artérias da Baixa Pombalina,
enquanto para as bandas
do Cristo Rei o sol se põe,
permitindo à lua que namore Lisboa
de um modo assaz descarado.

Jorge C. Chora

22/12/18

domingo, 16 de dezembro de 2018

SINTRA DOS AMORES




Entre o céu e a terra,
onde, outrora no seu
vasto território, residiram
tritões e sereias sem cauda,
Sintra embeveceu Strauss e Lord Byron,
acolheu o sacrifício dos frades Capuchos
que, hoje só fariam sentido,
se estes fossem dedicados à magia do amor.

Jorge C. Chora
  16/12/18