sábado, 4 de maio de 2024

DIA DAS MÃES

 

  

As mães são feitas de ternura e pedaços de céu: são seres celestiais a que se convencionou chamar de anjos da guarda, com a missão de apaparicarem os seus filhos.

Jorge C. Chora

4/5/2024

quarta-feira, 1 de maio de 2024

O LUXO DA POEDEIRA


Olhavam-na com desdém,

mal disfarçando a inveja

a consumi-las de modo indisfarçável.

A galinha poedeira era uma estrela,

apaparicada pelo enorme

tamanho e qualidade dos ovos,

alimentada de modo especial,

habitando um local higienizado.

As outras galinhas,

alcunhavam-na de Madame,

um misto de desprezo e raiva,

tal o tratamento diferenciado,

tão acima do usufruído por elas.

Iam aos arames quando ouviam

“As quatro estações de Vivaldi” ou

“A flauta mágica” quando ela punha os ovos.

Um dia, a Madame explicou-lhes,

com o bico trémulo,

que a música servia para apaziguar o seu

cacarejar de dor, sempre que punha um

dos gigantescos ovos e ato contínuo,

mostrou-lhes o enorme rabo inchado.

Desde esse dia, as galinhas agradecem

a um deus galináceo, numa ladainha

repetida à saciedade,” Gratias Dominus”

não terem sido selecionadas como

poedeiras de ovos descomunais!

            Jorge C. Chora

              1/5/2024

segunda-feira, 29 de abril de 2024

É SINA?

 


Destes cravos,

espalhaste sorrisos.

Mal sabias tu,

tanto tempo passado,

que muitos preferem espinhos,

e cravos fora do cano das espingardas!

Não te cuides, amigo não

e em breve terás,

saudações de braço estendido,

gritos de volver à direita,

cabeças ocas a mandar no país

e a ralé a ordenar:

- Ordinário, marche!

 Durmam democratas

e um dia amanhecem,

nas masmorras da iniquidade!

    Jorge C. Chora

     29/4/2024

domingo, 28 de abril de 2024

I LOVE YOU OU AMO-TE

 

Com uma garrafa numa mão

e um cigarro na outra,

tresandando a cerveja e uísque,

alguém te abraça e declara,

enquanto te beija:

-  “I love  You”

e lhe respondes, equilibrando-te a custo

e com a vista toldada, sem saber se é o João

ou o Frederico a Ana ou a Teresa.

-“Me too”

I love you é a declaração das borgas, dita e redita

cada vez que te beijam ou tu os(as) beijas e os(as) levas

ou te levam, para detrás das moitas.

Mais séria é a declaração amorosa “amo-te”,

seguida de um beijo, sabendo a morango, pêssego

ou amora, isenta de álcool de má qualidade,

em que se doam mutuamente, de livre vontade,

exprimindo um verdadeiro desejo,

 sem confundir o João com o Frederico, a Ana com a Teresa

e ambos(as) se lembram no dia seguinte do prazer que tiveram,

e das juras que fizeram!

                           Jorge C. Chora

                             28/4/2024

 

quarta-feira, 24 de abril de 2024

A LIBERDADE

 

 

A liberdade é

 um chapéu

de três bicos.

Tanto cobre

quem a ama,

como quem a detesta

e ainda de quem

acha que tanto fez

como tanto faz.

Esqueceram-se

de que é ela que

garante esta posição

de se ser contra, a favor,

ou dizer que tanto faz

 como tanto fez.

Esqueceram-se

dos tempos sem pio,

do falar em surdina,

do calar as injustiças

ou de ir parar à António Maria Cardoso,

onde mesmo à revelia,

sob tortura, se dizia aos berros,

aos amantes da falta de liberdade,

o que eles queriam e defendiam.

A liberdade é demasiado preciosa,

para acobertar vilanias,

venham elas de onde vierem.

         Jorge C. Chora

             24/4/2024

AMAR É

 

 AMAR

Amar é:

Julgar vê-la em todo o lado;

estranhar cada minuto da sua ausência;

pegar-lhe na mão como no jardim-escola;

querer levá-la ao colo, mesmo sem poder;

querer beijá-la a toda a hora e sentir o seu calor;

achar estarem invisíveis no meio de uma multidão;

apertá-la e fundirem-se numa só pessoa;

ficar sem palavras na sua presença;

concordar com tudo o que diz, sem nada ter ouvido;

ficar hipnotizado com o mexer dos seus lábios;

cheirá-la e sentir o aroma de Chanel;

ficar mais burro do que na realidade é.                                                     

Um estado d’alma divino, uma embriaguez,

um Bolero de Ravel.

 

                 Jorge C. Chora

                   24/4/2024

 

domingo, 21 de abril de 2024

A ÁRVORE DAS PATACAS

 Num país onde escasseiam

poetas, artistas e professores,

murcham as flores,

mas florescem pançudos,

colhendo patacas

nos seus quintais.

Elas são adubadas pelas dores

de muitos servidores,

tão mais intensas

quantas mais patacas

exigem os senhores,

à revelia da decência e das leis.

     Jorge C. Chora

       21/4/2023