sábado, 29 de agosto de 2026

 


As CALÇADAS LISBOETAS

Nas calçadas polidas

e muito escorregadias,

da Lisboa das sete colinas,

há quem caia todos os dias.

Mas há umas quedas

muito esquisitas

e assaz suspeitas,

quiçá premeditadas,

porque caem nos braços

do amado ou da amada,

e de lá só saem muito contrariados(a).

      Jorge C. Chora

         29/8/2026

 

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

 


 

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NUNCA É TARDE

Da juventude nem todos saudades têm,

pois foram muitos a viveram-na

somente como verdadeiros adultos.

E as saudades vedadas lhes estão,

porque são memórias para esquecer

e nunca para recordar com saudades.

Não critiquem os banidos da juventude,

por tentarem vivê-las na idade madura,

porque nunca é tarde para se ser jovem.

                 Jorge C. Chora

                  27/8/2026

              

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 

O EMPEDRADO DO CONVENTO

No empedrado do convento

muitos foram os passos,

ali dados pelos frades,

pelos nobres e burgueses,

às sécias e peraltas

d’ágora e d’outrora,

revivendo as personagens

de Marcelino Mesquita.

Mas atualmente,

no empedrado circulam

as deusas nacionais e estrangeiras,

cheirando a protetores solares,

douradas pelas carícias do sol,

tão belas quanto as

que no olimpo vivem.

São verdadeiros anjos e demónios,

entrando e saindo do convento,

trazendo para junto dele

o paraíso terreal e o perdão divino,

acompanhados pelo repicar dos sinos

e embelezado pelos concertos de órgãos.

     Jorge C. Chora

 

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domingo, 23 de agosto de 2026

 

OS CAPRICHOS DA CHUVA

A chuva é caprichosa

cai onde quer e lhe apetece.

Rega a tua horta,

esquece-se da minha

e recusa-se a banhar a dele.

Tanto cria como destrói:

Inunda as terras empapadas

e foge das secas.

A seu belo prazer,

molha as vacas e não os bois.

Afinal faz o que quer,

porque é caprichosa,

e molha quem lhe apetece.

Esquecemo-nos do chapéu de chuva

e ela, birrenta,

encharca-nos até aos ossos,

mas se o trouxermos,

recusa-se a cair e carregamos

o dia todo, com um ridículo objeto,

sem préstimo e pesado!

Jorge C. Chora

 

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sábado, 22 de agosto de 2026

                             

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ADÃO E EVA

Adão transportava uma cesta,

repleta de maçãs ao atravessar

a praça central da vila.

Num banco à sombra de uma árvore,

estavam cinco colegas da sua turma.

 Adão viu no banco a sua amada

e prontificou-se a oferecer-lhes

o que levava no cesto: maçãs.

A primeira foi para Eva, o seu amor,

Ela aceitou-a com um sorriso-beijo,

Todas receberam o seu quinhão,

mas nenhuma deixou de notar

ter sido Eva a receber a primeira.

Sorriram ao perceberem

o quadro bíblico invertido,

pois fora Eva a oferecer a Adão a maçã

que os expulsou do paraíso,

e agora era Adão quem oferecia a Eva

a entrada no paraíso terrestre!

E nas traseiras da escola secundária,

Eva oferecia diariamente a Adão

a sua doce maçã terreal, sem pecado

e muito amor.

        Jorge C, Chora

          22/8/2026



sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O AMOR E OS AROMAS

 

Viu-a passar apressada,

com os cabelos ao vento,

e de saia levantada,

nada preocupada,

pela malandrice do vento.

Cheirava a alecrim e a orégãos,

deixando também,

um rasto a açafrão.

Ela era uma delícia temperada,

uma dádiva culinária,

um pitéu à la carte.

Restava-lhe saber o restaurante,

onde aquela divina mulher,

adquiria aqueles aromas,

porque, mesmo sem dinheiro no bolso,

conseguiria satisfazer o olhar e o olfato.

Descobriu-a num botequim

localizado no seu quarteirão,

de avental posto e sorriso no rosto.

O seu espírito era tão fresco

quanto o seu aroma.

Não descansou até levá-la para casa,

de papel passado e anel posto,

e continua a cheirá-la da cabeça aos pés,

mal chega, meia desgrenhada

e de saias meio levantadas,

pelo malandro o vento,

que aprecia o seu aroma,

quase tanto como ele.

 

  Jorge C. Chora

    21/6/2026

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

AI SE O VENTO TIVESSE ALMA

 


Ai se o vento

tivesse alma,

quão bom seria

para todos nós.

Seria uma brisa

fresca em dias

quentes e insuportáveis,

um elemento de união

levando os amantes

para os braços uns dos outros.

Seria uma tempestade indomável

empurrando para a estratosfera,

canhões, tanques, barcos e aviões,

impedindo-os de matar,

fosse quem fosse, levando

da superfície terrestre,

ditadores e autocratas da pior espécie.

Ai se o vento tivesse alma,

mudaria de direção os incêndios,

poupando vidas e bens dos seres,

injustamente causticados por esse flagelo.

Ai se o vento tivesse alma, Senhor!

         Jorge C. Chora

             20/8/2026