Convidou-a para ir ao seu terraço,
observar as estrelas do céu
e logo ela lhe perguntou,
se vestiria calças ou saias rodadas.
--Como quiseres- respondeu,
mas aconselhou-a vir de saias,
pois estaria mais fresca,
nessa noite de verão escaldante.
--Sábio é o teu conselho,
mas mais sábia sou eu pois,
vestirei só uma túnica
e a noite oferecer-me-á,
toda a frescura necessária.
Pé ante pé,
à hora combinada,
ao terraço subiram,
a convidada e o anfitrião.
Ao lá chegarem,
do prédio vizinho,
soava a segunda valsa
de Shostakavich.
Enlaçaram-se a dançar a valsa
e em breve,
algo se alojou, frenético,
num ninho quente e aconchegante,
quando a convidada levantou a túnica
e simultaneamente os seus olhos e lábios se tocaram
e as línguas se entrelaçaram.
E aí viram todas as estrelas do firmamento.
Jorge C.
Chora
22/3/2026

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