sábado, 11 de abril de 2026

GUSTAVO E O SEU AMOR

 

Gustavo andava perdido

por uma mulher da vida.

De todos Sofia tinha sido,

a troco de dinheiro e nunca de amor.

Os fados por Gustavo cantados,

refletiam a mágoa dela não ser sua

e quando ela o ouvia cantar,

enviava-lhe beijinhos entusiasmados

e papelinhos,

com convites disfarçados,

e locais por ela designados,

para encontros,

várias vezes prometidos e por si ansiados.

Convenceu-se de que ela ainda seria só sua,

seduzida pelo amor por si demonstrado.

No dia aprazado, de burel e lenço ao pescoço,

compareceu no local marcado,

sítio esconso e fedorento,

 num recanto da Mouraria,

onde ela atendia um cliente e à espera tinha outros três,

indicando-lhe uma caixa e dizendo-lhe.

--Põe aí o dinheiro que não tarda chega a tua vez!

                     Jorge C. Chora

                       11/4/2026

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