quarta-feira, 21 de março de 2018

UMA ESTRELA QUE TAMBÉM É MINHA



Não sei quantas
estrelas há no céu
e pouco me importa,
se são milhares ou milhões;
o que eu sei
é que, aqui na terra,
também tenho uma,
que me alumia
e que brilha tanto,
como as que estão lá céu,
com a vantagem de tê-la ao pé de mim
e poder beijá-la todos os dias.

Jorge C. Chora

21/3/2018

quarta-feira, 14 de março de 2018

AS INDECISÕES



 Eram graciosas as indecisões,

os fingimentos, o quererem sem querer,

não quererem o que queriam.

Hoje em dia,

insistir na estratégia,

é sedução algo semelhante a um produto chinês:

só se usa uma vez.

Poucos acham graça

à incapacidade de abolir o "Nim",

de usá-lo como se fosse

um produto chinês,

que é barato,

mas que só se usa uma vez.

Jorge C. Chora

14/3/2018

terça-feira, 13 de março de 2018

O ARFAR DA DONZELA



Sonha a donzela,

a arfar de desejo,

e a tremer de amor,

ir à janela,

afogar o ardor,

liquefazer a agonia,

a pensar em quem

a faz ficar assim,

a tremer de amor

e a perder-se de desejo.



Jorge C. Chora
13/3/2018

sábado, 10 de março de 2018

A MINHA FLOR




Tenho uma flor

que gosta tanto

de ti, como eu:

floresce mal te pressente,

sorri quando estás presente

e quase desaparece,

quando te ausentas.

Agora sei porque

teimas em comparar-me

àquela flor,

mas a única que conheço,   

dotada de coração,

és mesmo tu,

que o és da cabeça aos pés,

flor que sentes e retribuis,

o amor que as flores e eu te temos.



Jorge C. Chora

10/2/2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

AS DORES DA CAETANA



A minha doce Caetana, tão meiga quanto rabina, enquanto lhe preparam o banho, gosta de fechar a porta da casa de banho e raspar-se, cirandar e fugir pela casa fora.

Foi o que fez um dia deste, mal a descalçaram, mas com tanto azar que bateu com a porta no seu dedo do pé.

Os pais pegaram-na de imediato ao colo, enchendo-a de beijos, enquanto ela se enroscava, chorando a plenos pulmões e desabafava, queixosa e revoltada:

-Foi horrível …foi horrível…

Tem toda a razão a minha neta, aos dois anos, feitos há pouco, em abominar o horrível…



Jorge C. Chora

8/3/2018


segunda-feira, 5 de março de 2018

UM PEQUENO SOBRESSALTO




Bati-te à porta

e não abriste,

tornei a tocar

e não recebi sinal.

Afastei-me em sobressalto

por nada saber de ti.

Comprei flores,

para que estas te esperassem

ao voltares.

Acabei, ao regressar,

por te ver,

no outro lado da rua,

acenando-me com as duas mãos.

Agradeci em segredo,

o facto de estares bem,

e ainda me permitir

ter um olfacto,

capaz de sentir e apreciar,

o aroma que exalavas,

a perfume e a sais de banho.



.Jorge C. Chora

    5/3/2018

sábado, 3 de março de 2018

MALDITA GRIPE



Tusso e estremeço. À partida, nada de mal. Nada de mal “utanas”: isso é conversa mole que os brasileiros bem tipificam, quando dizem que pimenta no olho do vizinho é refresco…

A cada tussidela seguem-se descargas eléctricas, que me encrencam as costas, as ancas e agravam as discopatias. Não me venham com o poema do Lobo Antunes, sobre os homens constipados, antes fosse caso disso.

Acabo de chegar da acupunctura e sinto-me bem melhor. Sento-me à mesa e aí vem ela, a maldita gripe e a respectiva tosse, estragar o que foi feito, desconjuntar-me o esqueleto.

Quero um remédio adequado e a resposta é lacónica: sabes que não podes tomar remédios!

Aguenta que é serviço. Quem te manda ser velho e padecer de tanta coisa! Mas o pior é não poder vadiar, comer um petico, apreciar um chá de parreira…

-Põe-te com ideias…

E aí vou eu, aos ziguezagues, sem vadiar, beber ou petiscar nada, agarrado à tosse e à dor,

para aquilo que mais detesto: estar na cama, sem escrever, ler nem fazer nada…

E assim se passou uma semana…. sem saber quantas ainda me faltam…



Jorge C. Chora

4/3/2018