Bater não é ensinar,
apanhar não
é aprender,
é só receber
a raiva
de quem bate,
desencadear a
fúria
de quem
apanha!
Ensinar é
dar e ter
prazer em aprender!
Jorge C.
Chora
24/11/2022
Bater não é ensinar,
apanhar não
é aprender,
é só receber
a raiva
de quem bate,
desencadear a
fúria
de quem
apanha!
Ensinar é
dar e ter
prazer em aprender!
Jorge C.
Chora
24/11/2022
Hoje
procurei-te,
a cidade percorri,
andei atrás
de ti
as vielas
corri,
e não te vi.
Aí de mim
passei o dia
sem ti,
contigo na
mente,
sem me
saíres do pensamento
e nem sequer
te vi
e continuo
sem saber de ti!
Jorge C.
Chora
23/11/2022
Se poupar é ganhar,
como explicar
os que têm e
não poupam
e os que
poupam e não têm?
Pois, só poupa
quem tem
para investir
e acompanhar
a sede, de
quem tem a ganhar
à custa de
quem pouco tem
e é obrigado
a poupar,
a guardar
para poder comprar,
metade do
que ontem levava,
e isso se
quiser jantar!
Jorge C.
Chora
22/11/2022
Com o desejado filho no ventre,
a mãe ostenta um sorriso
de confiança e vitória;
os seus passos são pesados
e seguros, a sua barriga
rotunda, é a casa, a fortaleza,
a defesa do seu rebento,
a carapaça de aço protetora
e a certeza de que nada de mau
lhe pode acontecer até nascer.
Pena tem ela de que
o seu ventre não possa
ser um abrigo, uma garantia
um porto seguro para a vida.
Jorge C. Chora
17/11/2022
Era uma vez
um dinossáurio chamado Comilão que comia de manhã, a meio da manhã, ao almoço,
ao lanche, antes do jantar, ao jantar e à ceia!
Já perceberam por que razão se chamava
Comilão? Só comia verduras, mesmo muitas, como sabem.
À medida que
foi envelhecendo, todos os dias tinha mais dificuldade em andar. Os seus filhos
passavam uma parte do dia a colher as ervas para ele continuar a comer todas as
refeições a que estava habituado.
O Comilão
tanto, mas tanto comeu, que os seus dentes foram-se gastando e caindo. Só podia
comer verduras muito tenras e demorava mais a mastigar.
Embora
tivesse mais dificuldades em andar, todos os dias saía e adorava sair à noite,
porque as ervas estavam mais húmidas e saborosas. Quando os olhos começaram a
fraquejar, todos os dias aparecia com um galo na cabeça porque ia contra as
árvores e fartava-se de tropeçar e cair.
Quando lhe
disseram que não devia sair à noite, ficou magoado e respondeu:
-Era só o
que me faltava! Gosto dos meus passeios noturnos. Fazem-me bem, distraem-me e
não é por ter mais ou menos galos que vou ficar na caverna!
De nada
valeu a preocupação dos filhos até que um entre os dez, teve uma ideia: e se o
pai pudesse ver à noite como de dia?
Uma risota
geral fez estremecer a caverna.
- Que ideia
tão idiota- exclamaram os irmãos.
- A ideia é
muito boa, mas… – disse o pai.
De repente,
um raio caiu sobre a árvore em frente à caverna e incendiou--a. A noite ficou
de dia.
Os filhos
recolheram os ramos a arder e lembraram-se de ir alimentando o fogo com ramos
que iam recolhendo.
À noite, o
Comilão podia levar um dos paus e ver como se estivesse de dia.
Era uma
lanterna do tempo dos dinossáurios.
Jorge C.
Chora
12/11/2022
Quando o amor
à porta bate,
e é recíproco,
Helena mergulha
no azul-mar
dos olhos de Luísa,
trocam olhares de desejo
e promessas d’amor.
Ambas anseiam
por carícias mútuas,
segredos partilhados,
entregas incondicionais
e ais de prazer sentidos
e não fingidos, refletidos
na alternância frenética
e gostosa, de azul-mar para verde
dos olhos de Luísa,
em cujas cores se derrete Helena,
a comprovar o amor das Marias.
Jorge C. Chora
13/11/2022
O cheirinho a
frango assado proveniente da caixa onde o transportava, chegava-lhe ao cérebro.
De repente,
uma força malévola nascida no estômago, levou-o a abrir a caixa, levar uma
perna do frango à boca e devorá-la num ápice.
Depois de a
comer é que caiu em si. E agora o que vou dizer lá em casa? Todos gostam de
perna e como vou justificar este meu ato devorador?
Até casa foi
pensando no que dizer, qual a peta que iria pregar, mais ou menos credível para
não ouvir a reprimenda mais que certa.
Ao chegar, a
mesa já estava posta e a travessa só esperava o frango para se dar início à
refeição. A mãe abriu a caixa e foi dispondo os pedaços, artisticamente, em
torno do puré. Ao dar por falta de uma das pernas, exclamou:
-Oh! Só há
uma perna!
-Também
estranhei, mas o senhor do restaurante disse-me que a galinha era coxa!
O irmão mais
novo, sabendo da ratice do mano velho, aproveitou a ocasião para, sem ninguém
ver, espetar e comer as moelas e fingir-se muito surpreendido:
- Para além
de coxa, era deficiente porque não tem moelas!
O comilão da
perna, quase deu uma gargalhada, mas conteve-se. Percebeu de imediato a
estratégia do mais novo.
Os pais
fingiram acreditar nas patranhas e comentaram:
- Bom, vamos
comer o que o frango deficiente ainda nos pode oferecer!
Jorge C.
Chora
11/11/2022