quinta-feira, 24 de novembro de 2022

ENSINAR

 Bater não é ensinar,

apanhar não é aprender,

é só receber a raiva

de quem bate,

desencadear a fúria

de quem apanha!

Ensinar é dar e ter

prazer em aprender!


Jorge C. Chora

24/11/2022

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

ANGÚSTIA


Hoje procurei-te,

a cidade percorri,

andei atrás de ti

as vielas corri,

e não te vi.

Aí de mim

passei o dia sem ti,

contigo na mente,

sem me saíres do pensamento

e nem sequer te vi

e continuo sem saber de ti!

 

Jorge C. Chora

23/11/2022

terça-feira, 22 de novembro de 2022

A LENGALENGA DA POUPANÇA

Se poupar é ganhar,

como explicar

os que têm e não poupam

e os que poupam e não têm?

Pois, só poupa quem tem

para investir e acompanhar

a sede, de quem tem a ganhar

à custa de quem pouco tem

e é obrigado a poupar,

a guardar para poder comprar,

metade do que ontem levava,

e isso se quiser jantar!

 

Jorge C. Chora

22/11/2022

 

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

A MÃE


Com o desejado filho no ventre,

a mãe ostenta um sorriso

de confiança e vitória;

os seus passos são pesados

e seguros, a sua barriga

rotunda, é a casa, a fortaleza,

a defesa do seu rebento,

a carapaça de aço protetora

e a certeza de que nada de mau

lhe pode acontecer até nascer.

Pena tem ela de que

o seu ventre não possa

ser um abrigo, uma garantia

um porto seguro para a vida.

      Jorge C. Chora

      17/11/2022

domingo, 13 de novembro de 2022

O DINOSSÁURIO E A LANTERNA -HISTÓRIA INFANTIL


Era uma vez um dinossáurio chamado Comilão que comia de manhã, a meio da manhã, ao almoço, ao lanche, antes do jantar, ao jantar e à ceia!

 Já perceberam por que razão se chamava Comilão? Só comia verduras, mesmo muitas, como sabem.

À medida que foi envelhecendo, todos os dias tinha mais dificuldade em andar. Os seus filhos passavam uma parte do dia a colher as ervas para ele continuar a comer todas as refeições a que estava habituado.

O Comilão tanto, mas tanto comeu, que os seus dentes foram-se gastando e caindo. Só podia comer verduras muito tenras e demorava mais a mastigar.

Embora tivesse mais dificuldades em andar, todos os dias saía e adorava sair à noite, porque as ervas estavam mais húmidas e saborosas. Quando os olhos começaram a fraquejar, todos os dias aparecia com um galo na cabeça porque ia contra as árvores e fartava-se de tropeçar e cair.

Quando lhe disseram que não devia sair à noite, ficou magoado e respondeu:

-Era só o que me faltava! Gosto dos meus passeios noturnos. Fazem-me bem, distraem-me e não é por ter mais ou menos galos que vou ficar na caverna!

De nada valeu a preocupação dos filhos até que um entre os dez, teve uma ideia: e se o pai pudesse ver à noite como de dia?

Uma risota geral fez estremecer a caverna.

- Que ideia tão idiota- exclamaram os irmãos.

- A ideia é muito boa, mas… – disse o pai.

De repente, um raio caiu sobre a árvore em frente à caverna e incendiou--a. A noite ficou de dia.

Os filhos recolheram os ramos a arder e lembraram-se de ir alimentando o fogo com ramos que iam recolhendo.

À noite, o Comilão podia levar um dos paus e ver como se estivesse de dia.

Era uma lanterna do tempo dos dinossáurios.

Jorge C. Chora

12/11/2022 

LUÍSA E HELENA


Quando o amor

à porta bate,

e é recíproco,

Helena mergulha

no azul-mar

dos olhos de Luísa,

trocam olhares de desejo

e promessas d’amor.

Ambas anseiam

por carícias mútuas,

segredos partilhados,

entregas incondicionais

e ais de prazer sentidos

e não fingidos, refletidos

na alternância frenética

e gostosa, de azul-mar para verde

dos olhos de Luísa,

em cujas cores se derrete Helena,

a comprovar o amor das Marias.

 

      Jorge C. Chora

     13/11/2022 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

A GALINHA COXA


O cheirinho a frango assado proveniente da caixa onde o transportava, chegava-lhe ao cérebro.

De repente, uma força malévola nascida no estômago, levou-o a abrir a caixa, levar uma perna do frango à boca e devorá-la num ápice.

Depois de a comer é que caiu em si. E agora o que vou dizer lá em casa? Todos gostam de perna e como vou justificar este meu ato devorador?

Até casa foi pensando no que dizer, qual a peta que iria pregar, mais ou menos credível para não ouvir a reprimenda mais que certa.

Ao chegar, a mesa já estava posta e a travessa só esperava o frango para se dar início à refeição. A mãe abriu a caixa e foi dispondo os pedaços, artisticamente, em torno do puré. Ao dar por falta de uma das pernas, exclamou:

-Oh! Só há uma perna!

-Também estranhei, mas o senhor do restaurante disse-me que a galinha era coxa!

O irmão mais novo, sabendo da ratice do mano velho, aproveitou a ocasião para, sem ninguém ver, espetar e comer as moelas e fingir-se muito surpreendido:

- Para além de coxa, era deficiente porque não tem moelas!

O comilão da perna, quase deu uma gargalhada, mas conteve-se. Percebeu de imediato a estratégia do mais novo.

Os pais fingiram acreditar nas patranhas e comentaram:

- Bom, vamos comer o que o frango deficiente ainda nos pode oferecer!

 

Jorge C. Chora

11/11/2022