domingo, 22 de janeiro de 2023

O MUNDO

 

Se não ver é triste,

 muito mais triste,

é tudo conseguir ver,

e não querer saber,

ou fingir algo fazer

e deixar acontecer!

Falar sem ajudar,

pouco ou nada dar,

 tudo conseguir ver,

 só fingir algo fazer,

para a fotografia tirar,

é coisa de espantar!

 

   Jorge C. Chora

      22/1/2023

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

UM LIVRO ESPECIAL


Em cima da mesa estava um livro de apreciável espessura, forrado a carneira.

Um casal puxava o livro para perto de si, ora agora um, ora de seguida o outro.

Estiveram naquele jogo do puxa-puxa, quase meia hora, no meio de sorrisos e algumas carícias nas mãos dela, feitas de modo meloso.

João ficou curioso em relação ao livro. Sendo um amante de livros, aquele só podia ser uma raridade.

Quando passou pela mesa dos senhores, não se conteve e disse:

- Desculpem-me, o livro deve ser uma raridade! Qual é o autor e o título da obra, se não se importam de revelar… Sou um apaixonado por obras raras…

A senhora, sorrindo, respondeu-lhe:

-É o livro de calotes, deste importante senhor, à minha empresa!

 

Jorge C. Chora

20/1/2023

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

INFERNO E INFERNINHO


O inferno para os malvados,

o inferninho para os abençoados,

ambos são falados e quentinhos,

um é castigo, o outro é recompensa.

Para os que amam, o inferninho

é eterna saudade, quando deixam,

de poder as suas benesses usufruir,

ficando sempre na memória o quão

bom e feliz foi o tempo dessa fruição!

Aos velhacos, o diabo e a punição,

tantas as canalhices sem remissão.

 

          Jorge C. Chora

             18/1/2023

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

A CASMURRICE DO TEMPO


Quando tenho pressa

e o quero a andar depressa,

faz gala em ser lento,

caminhar passo a passo,

devagar, e até me passo:

Tic… tac…tic… tac…

E disto não sai, um desespero!

Quando pressa não tenho,

ele a toda à pressa caminha:

tic… tac… tic…tac

É um estupor, tanto desdenha

quem tem pressa,

como quem a não tem:

o minuto tem sessenta segundos,

nem mais, nem menos um,

e recusa-se a alterar,

 seja por que motivo for!

 

      Jorge C. Chora

        11/1/ 2023

sábado, 14 de janeiro de 2023

AS ORELHAS

 

Orelhas feitas,    

querem-se perfeitas,

não só para elogiar,

mas para os amantes

o amor poderem declarar

e um arrepio de prazer,

ambos conseguirem ter,

no momento do sussurrar.

   Jorge C. Chora

    14/1/2023

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

OS AZARES DE JOÃO BRÁS

 

Elevou as mãos ao céu quando conseguiu, nos princípios da década de setenta, mais propriamente em 73, um biscate a entregar cartas e telegramas, nos Correios, na Ericeira.

Para um jovem, era ouro sobre azul, um biscate em agosto e a perspetiva de uns cobres no bolso.

Na época, as entregas dos telegramas urgentes davam mais dinheiro do que os normais: uns fabulosos e cobiçados vinte e cinco tostões!

Após ter dado graças a Deus por ter conseguido que lhe dessem um telegrama urgente para entregar, criou asas e num ápice estava na morada indicada.

Entregou o telegrama na casa de uma viúva, que lhe pediu o favor de o ler, em virtude de não saber e querer inteirar-se do conteúdo do mesmo.

Mal João Brás o leu, a viúva caiu para o lado, após dar um grito de dor e desespero: o telegrama anunciava-lhe a morte do filho.

Aflito teve de socorrer-se do apoio da vizinhança que o ajudou a auxiliar a senhora. Tinha recebido um presente envenenado ou melhor, envenenadíssimo!

Noutra ocasião, teve de entregar uma carta na zona de campismo selvagem, existente na altura, na Foz do Lizandro. As instruções para a entrega eram para a carta ser entregue numa barraca amarela. Lá do alto, depararam-se-lhe inúmeras barracas amarelas. Decidiu entregar a carta na mercearia após confirmar que a senhora conhecia a destinatária.

Ao retornar ao acampamento para entregar outras cartas para lá remetidas, foi abordado de modo agreste pela destinatária da carta que ele tinha entregado na mercearia, porque ela estava de relações cortadas com a merceeira que, ainda por cima era sua cunhada!

Farto da peixeirada, deixou um aviso alto e em bom som: a partir desse dia, as cartas seriam entregues, às 11horas da manhã, só a quem estivesse presente. Quanto às outras, seriam devolvidas e teriam de ir buscá-las ao Correio.

João Brás, hoje ,mas só hoje, consegue achar graça aos momentos que passou a lutar por vinte e cinco tostões, quando era jovem.

Jorge C. Chora

13/1/2023

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

AMAR É COISA SÉRIA

 


Já os antigos sabiam, que apressar o prazer quando se ama, Ovídio por exemplo, era desnecessário. Estou de acordo, as pressas no amor não servem quem ama nem quem é amado. Se assim é, a solução é amar, amar sempre, sem pressas e com prazer, usufruir o amor, beneficiar quem se ama e nunca deixar de amar, porque é ter prazer eterno.

 

JORGE C. CHORA

       12/1/2023