quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

A PRENDA AVÓ XAXÃO

 

A PRENDA DA AVÓ XAXÃO

 

Arregalou os olhos quando a avó Xaxão lhe deu um sobre colchão.

Mal chegou a casa, a mãe colocou-o na sua cama. Nessa mesma noite foi estreado.

No dia seguinte, perguntou-lhe a mãe:

- Então Caetana, como é que dormiste esta noite?

-Olha mãe, se queres que te diga, adorei! Foi como dormir numa nuvem relaxante de algodão doce…

A oferta da avó Xaxão, foi aprovada com distinção e louvor! - comentou a mãe.

- Claro que sim! - concordou a Caetana, do alto dos seus sete anos feitos recentemente no Dia de Reis, numa pose de Rainha.

 

Jorge C. Chora

16/1/2023

 

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

TRÊS PALAVRAS

 

Entre seres apaixonados

há palavras temidas,

quando são proferidas,

tão pouco são asneiras,

nem mesmo ameaças,

doem como bofetadas

e só são três palavras:

-Olha, hoje não!

 

Jorge C. Chora

15/1/2023

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

NO DIA DE S. VALENTIM

No Dia dos Namorados

há beijos repenicados,

nádegas beijadas,

apertos delicados.

Oxalá durem ou

pelo menos perdurem,

até amanhã,

porque os lábios,

continuam entreabertos,

esperando beijos e não dentadas.

Jorge C. Chora

   14/2/2023

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

OS CÉUS DA UCRÃNIA

 

Nos Céus da Ucrânia

não se vêm anjos nem estrelas,

escondem-se à noite,

com receio de irem fazer companhia

às milhares d’almas de crianças, mulheres

e jovens que já lá se encontram,

mortas quando em sua casa dormiam,

às ordens, de quem o Mundo quer destruir!

 

          Jorge C. Chora

            13/1/2023

sábado, 11 de fevereiro de 2023

DEVIA SER ASSIM!

Se há algo proibido,

como é conhecido,

é pretender saber

os anos de uma mulher.

Uma mulher faz anos

de dez em dez anos

e, depois dos cinquenta,

regressa aos quarenta!

E a estas deusas terrenas,

quanto mais bonitas

fossem por dentro,

ser-lhes-ia concedido,

após os quarenta,

ter de novo vinte

e tornar verdadeira,

a afirmação lisonjeira:

a mulher não tem idade!

     Jorge C. Chora

       11/1/2023

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

AQUILES.

 

Aquiles era um homem inflexível e muito impaciente. Belicoso, assertivo em demasia, senhor de modos bruscos e pouco dado a conversas.

Não morria de amores nem por animais nem pelas pessoas, mas a sua esposa tinha-lhe uma verdadeira adoração e, curiosamente, também ele lhe retribuía o amor que ela lhe tinha.

Conheceram-se na primária, quando ela estava a ser alvo de um ataque à saída da escola. Aquiles atirou-se como gato a bofe, aos quatro, suportando pontapés, murros e cabeçadas. Concentrou-se num de cada vez. Ao primeiro, partiu-lhe um braço, ao segundo o nariz, tendo o facínora guinchado como um porco e fugido rua fora, acompanhado do amigo com a asa partida. Os dois restantes fugiram, mas Aquiles apanhou-os, e partiu-lhes a cabeça.

Desde esse dia, Aquiles e a colega não se largaram. Namoraram durante toda a escolaridade, inclusive na faculdade, e terminados os cursos casaram-se.

Um dia, quando atravessava a rua numa passadeira, foi atropelado e morreu.

Foi cremado e a esposa decidiu perpetuar a sua memória. Trouxe um pequeno arbusto que encontrou num terreno abandonado e deitou uma parte das cinzas de Aquiles, no canteiro onde o plantou.

No dia seguinte, qual não foi o seu espanto, ao ver o arbusto seco e todo encarquilhado.

A jardineira que trabalhava para o casal, ao ver a tristeza da viúva explicou-lhe:

- Minha senhora isso era uma lantana. É altamente tóxica e se as bagas forem ingeridas são altamente perigosas, principalmente para quem tem crianças.

E nesse momento, a inconsolável viúva que estava grávida, percebeu que o seu Aquiles continuava a cuidar dela e dos seus.

JORGE C. CHORA

    7/1/2023

sábado, 4 de fevereiro de 2023

IRENE E IVONE

Eram amigas de peito, antigas companheiras de escola e chegaram a compartilhar o mesmo quarto, no internato do colégio onde tinham estado a estudar. A amizade ficou para toda a vida.

No verão, Irene visitou a sua amiga e à despedida, na estação da CP, ao verem um cauteleiro, decidiram comprar-lhe um vigésimo de um bilhete de lotaria.

Ao pagarem, Ivone verificou faltarem-lhe 50 cêntimos, para pagar a sua parte, na metade da cautela.

- Por amor de Deus Ivone, até parece que não somos as melhores amigas, deixa-te lá disso!

Despediram-se com um grande abraço e um beijo na face e a promessa de se voltarem a ver e a terem férias conjuntas no ano seguinte.

A sorte bafejou-as. A sorte grande saiu naquele bilhete e ao vigésimo, coube uma quantia bem razoável.

Irene telefonou de imediato à Ivone a participar-lhe a sorte que tinham tido. No final da conversa, Irene relembrou à sua amiga Ivone:

-Ah! Não te esqueças de que eu tenho mais cinquenta cêntimos no bilhete

 e a divisão deve ser proporcional e ter em conta esse facto, na respetiva divisão!

Jorge C. Chora

  4/2/23