LIMITES
Foges de
mim,
ao
perceberes,
a minha
vontade
de te
mordiscar;
mas quando
ela
também te
dá,
só duas
vezes
a podes
usufruir,
porque à
terceira,
andas tu
atrás de mim
e eu a fugir
de ti!
Jorge C. Chora
15/6/2023
LIMITES
Foges de
mim,
ao
perceberes,
a minha
vontade
de te
mordiscar;
mas quando
ela
também te
dá,
só duas
vezes
a podes
usufruir,
porque à
terceira,
andas tu
atrás de mim
e eu a fugir
de ti!
Jorge C. Chora
15/6/2023
Sinto, preciso,
e estou
faminto,
dos teus
carnudos lábios,
mas neles,
vislumbro a traição.
O desejo é
tão forte,
que prefiro
mil vezes a traição,
do que ficar
sem os beijar,
ainda que
por breves segundos,
os teus traidores
e magníficos
lábios carnudos.
Jorge C. Chora
14/6/2023
Um
cavalheiro foi detido,
em flagrante
delito,
por um
piropo ter dito,
por sinal
bem bonito.
Foi preso e
acusado,
por abuso,
condenado,
a pedido de
uma jovem
que se
sentiu assediada
e muito
incomodada,
por ter sido
chamada
de “verdadeira
deusa terreal”
e não ter
sabido ou querido,
dizer,
simplesmente:
- Muito
obrigada.
Jorge C.
Chora
11/6/2023
Não sei o
que aconteceu,
para escorregares
entre os
dedos da minha mão;
se foi o
beijo
que prometi
dar-te
e dei à tua
amiga,
ou as rosas
oferecidas
à tua prima,
ou ainda por
me teres encontrado,
três vezes
na cama com outras,
sem seres
tu.
Seja como
for,
sinto-me
enganado por ti,
não sei o
que fiz para merecer
tal castigo.
Aí coitado
de mim,
o fado que
eu passo,
por ficar
sem ti!
Jorge C.
Chora
8/6/2023
Nasceu fraco
o cabritinho. Só por milagre e pelos cuidados da mãe conseguiu sobreviver. A
mãe cabra, devido aos esforços feitos e à idade que já tinha, acabou por
falecer.
Só e
forcejando por se colocar em pé, o cabritinho viu aproximar-se uma jiboia que
ofereceu os seus préstimos:
-Meu
pequenino, estás cheio de frio, precisas de te aquecer. Queres que te abrace e
te aqueça?
Agradecido
pelo súbito socorro, o recém-nascido disse que sim, abanando a cabeça.
A jiboia
aproximou-se devagar, encostando-se de modo suave, quase carinhoso, ao
cabritinho, preparando o abraço oferecido.
E quando se
preparava já para o abraçar, surgiu espavorido um enorme e carrancudo bode, que
viera em busca da sua cabra preferida, a qual tinha dado à luz naquele pasto.
Os berros do
bode, furioso ao presenciar a cena, atroaram os ares e ele atacou, pisando
inúmeras vezes a jiboia, e corneou a cabeça dela com tal violência, que a
separou do corpo já mutilado.
-Ela era
minha amiga, ofereceu-se para me aquecer! -balbuciou – o cabritinho.
O bode,
ainda ofegante, conteve a sua fúria para não assustar o cabritino e
respondeu-lhe:
-Se ela te
tivesse abraçado, já estavas morto. Ela ia comer-te! Não te esqueças do que vou
dizer-te. Falsas ajudas como esta, vais recebê-las toda a tua vida. Podem não
querer comer-te de imediato, mas vais pagá-las caro e em dobro do bem que achas
ter merecido!
E o
cabritinho, franzindo a testa, a custo agradeceu ao bode, ter matado a sua
amiga cobra.
Jorge C.
Chora
7/6/2023
Deste-me um beijo
e uma rosa,
e quando te disse,
que tinha um ramo para ti,
chamaste-me mentiroso,
e fugiste de mim.
Acabei por não te dar
o ramo que te tinha comprado.
Só tenho pena
de te não te ter dado,
o beijo para ti guardado,
mas dá-lo-ei a outra,
para não desperdiçar,
a compra que fiz para ti.
Jorge C. Chora
1/6/2023
Entre
abraços
e beijinhos,
ais de
prazer,
e miminhos
prazerosos,
faz-se
nascer
um ou dois
meninos(as).
Meninos não
são bonecos
que se dão
ou se emprestam,
são seres humanos,
criados com
amor, cuidados
trabalhos e
carinhos,
dos quais
nos orgulhamos,
venham eles
a ser,
o que
quiserem ou deixarem ser,
taberneiros
ou doutores,
são e serão
sempre os nossos meninos.
Jorge C. Chora
1/6/2023