quinta-feira, 14 de setembro de 2023

A BORBOLETA

 

A BORBOLETA

Tu és uma borboleta,

entre todas a mais invulgar,

pouses onde pousares

há sempre alguém a olhar.

Quem me dera ser folha,

poderes em mim descansar,

refrescar-me com as tuas asas,

deliciar-me com a tua visão,

acarinhar o teu cansaço,

defender-te da ventania,

até poderes tornar a voar.

 Jorge C. Chora

24/9/2023



terça-feira, 12 de setembro de 2023

AS QUATRO ESTAÇÕES

 

Já me tarda a minha amada,

ainda agora saiu de casa

e já tanta falta me faz.

No inverno é o calor do lar,

no verão a sua frescura,

na primavera o aroma;

e no outono, a alegria e a folha perene.

É o meu amor nas quatro estações,

a fonte das minhas emoções,

e por isso tanta falta me faz,

ainda mal saiu ou pensa sair,

logo me tarda a minha amada.

     Jorge C. Chora

     12/9/2023

 

domingo, 10 de setembro de 2023

PUDERA

 

Comeu uma dose de leitão,

a seguir uma de feijão,

depois um grande pão

e uma fatia de bolo de Alfeizerão;

para acompanhar, um litro de Dão.

Após terminar a refeição,

produziu a seguinte exclamação:

_Sinto-me tão cheio e não sei por que razão!

 

      Jorge C. Chora

      10/9/2023

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

AS DORES

 

As dores físicas mostram-se por expressões,

manifestadas quase sempre por interjeições,

 e também, muitas vezes, por palavrões.

As dores d’alma e as rejeições,

registam-se poeticamente,

porque o poeta “finge tão completamente

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente”

tal como já alertava Fernando Pessoa.

 

      JORGE C. CHORA

         8/9/2023

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

UM AMIGO É.

 

UM AMIGO É…

Um amigo é uma joia rara,

um grão de areia no deserto do Saara,

um oásis com poço e tamareira,

um vento benfazejo à tua beira,

empurrando para lá da fronteira,

toda a maledicência que de ti se abeira,

toda a inveja que te rodeia,

defendendo-te de toda a desgraceira.

 

        Jorge C. Chora

            6/9/2023

domingo, 3 de setembro de 2023

DESENCONTRO

 

Vê-o e deseja-o,

mas finge desconhecê-lo,

embora o ame

e nada lhe diga.

Nem sabe que ele,

tem por ela,

o mesmo sentimento

e igual pudor.

Ficam e ficarão por ali,

cada um no seu canto,

mudos e ensimesmados,

um sem o outro,

fingindo não se quererem.

 

    Jorge c. Chora

      3/9/2023

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

A SABIDA

 

O rabo bamboleava,

atraindo quando andava,

quatro olhos hipnotizados,

todos eles apaixonados.

Ninguém dela se aproximava,

porque seu olhar queimava

e eles de medo tremiam,

quando ela se zangava.

Receosos, olhos arregalados,

um deles namorava,

quem a trela segurava;

o outro, com a dona ocupada,

lambia-a e afagava-a e ela deixava,

e sempre que a dona olhava,

mostrava os dentes e rosnava,

como detestasse ser apaparicada.

          Jorge C. Chora

               1/9/2023