terça-feira, 30 de janeiro de 2024

QUEM ESPERA DESESPERA

 

Conheces o meu sentir,

mas finges não perceber.

Do alto da tua torre,

não dás sinal de descer

ou de me deixares subir.

Se persistires em ignorar-me,

não te pedirei que desças,

nem te implorarei para

lançares as tuas tranças,

tal como Rapunzel,

até porque, não estás prisioneira,

e nada te impede de me deixares subir.

Simplesmente darei o meu amor,

quiçá, a uma menos bela, mas mais

sensível e menos fingida do que tu.

 

         Jorge C. Chora

           30/1/2024

domingo, 28 de janeiro de 2024

O VINHO

 

Triste é o vinho

que não alegra

quem o bebe:

é um impostor,

com mau cheiro

e péssimo sabor,

quiçá,

um imposto sem retorno,

uma serenata sem música

e sem cantor.

 

Jorge C. Chora

sábado, 27 de janeiro de 2024

ESTRANHAS SAUDADES

 

ESTRANHAS SAUDADES

Nunca tive saudades assim,

por não saber se ficas, se partes.

Ainda não chegaste e já as tenho,

mesmo ao acabar de te ver,

sem saber se ficas, se partes.

Bailam em mim estranhas saudades,

e só agora percebi, ser o medo

que partas e deixe de te ver,

deixando-me a saúde a bailar,

por nunca saber se ficas, se partes.

        Jorge C. Chora

          27/1/2024

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

É OU NÃO É

 

É OU NÃO É?

 

Quem vê e não crê,

ou é cego,

ou não quer ver!

 

Jorge C. Chora

25/1/2024

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

OS COMBOIOS DA LINHA DE SINTRA E A ESTAÇÃO DA AMADORA

 

Já lhe chamaram o dr. Sintra, tantos foram aqueles que morreram na linha, quando as passadeiras dos peões cruzavam os carris.

Uns por mera distração, outros por suicídio, mas houve também quem ficasse sem braços e sem pernas, enquanto trepavam para cima dos comboios e caíam.

Na Amadora, às horas de ponta, os passageiros que apanhavam o comboio para Lisboa e vice-versa, iam pendurados em cachos, no exterior do comboio, agarrados aos apoios das entradas, segurando malas, sacos e saquinhos, rezando a todos os santinhos para chegarem sãos e salvos ao seu destino.

As dores de barriga eram muitas e em caso de aflição, ao chegarem à estação, podiam socorrer-se das casas de banho existentes à superfície, quando a estação ainda não era subterrânea ou mesmo depois, quando deixou de ser, pois também havia casas de banho a funcionar.

Atualmente, quando há greves e poucos comboios, repetem-se os cachos de passageiros pendurados às entradas e as dores de barriga, mas só há duas soluções ao chegarem à Amadora: ou fazem nas calças ou as arreiam e fazem no chão, porque as casas de banho estão fechadas!

O mais certo é saírem borrados!

Jorge C. Chora

24/1/2024

 

 

domingo, 21 de janeiro de 2024

LEONOR

 


Os vestidos de ar e vento,

são os únicos que lhe assentam,

se moldam ao corpo a contento,

todos os outros nada acrescentam.

Transportada numa carruagem real,

embora vestida de ar e vento,

ninguém dirá que a rainha vai nua

e todos aplaudem o vestido que ela traz

e tão bem realça a sua beleza.

 

      Jorge C. Chora

         21/172024

sábado, 20 de janeiro de 2024

AEROPORTO

 

 

Está de partida a bela Belinda,

já de saudades perdida,

ainda sem estar embarcada,

e sem sinal próximo da partida.

Beija-a a mamã, o papá e a titi,

lambuzam-na os amigos e a Mimi,

e, entretanto, ouve-se um aviso:

-O voo para Nova Iorque foi cancelado.

Repetem-se os beijos, adiam-se as saudades,

guardam-se as lágrimas para o dia da nova partida.

Regressam a casa, a Belinda, a mamã., o papá e a titi,

até que a companhia se digne avisar da nova partida.

Jorge C. Chora

20/1/2024