NO LAGO
VI UM PATO
SEM SAPATO.
COITADO,
DEI-LHE UM
SAPATO,
MAS PORQUE É
PATO
E DISPENSA
SAPATO,
AINDA ME DEU
UMA SAPATADA!
JORGE C. CHORA
14/5/2024
NO LAGO
VI UM PATO
SEM SAPATO.
COITADO,
DEI-LHE UM
SAPATO,
MAS PORQUE É
PATO
E DISPENSA
SAPATO,
AINDA ME DEU
UMA SAPATADA!
JORGE C. CHORA
14/5/2024
Sentado a
uma mesa,
com muita
frequência,
um velho
conversava
com o
Senhor!
Viam-no
mexer os lábios
embora nada
se ouvisse.
Só adivinhavam
o interlocutor,
pelas mãos
viradas ao céu.
Um dia um
dos mais curiosos
perguntou-lhe:
- Pode
saber-se de que fala e com quem fala?
- Claro que
sim!
Peço ao
Senhor, uma intervenção
para acabar
com as guerras, com
os ditadores,
genocidas e assassinos que governam países!
- E o que
responde o Senhor?
- Diz-me
sempre o mesmo:
- Meu velho,
criei os seres dotados de livre-arbítrio!
Compete-vos
a todos vós, pôr fim aos desacatos!
Jorge C. Chora
12/5/2024
Grossas lágrimas
escorriam pelas
faces de Bá.
Na televisão
do
restaurante,
passavam
imagens
de um bebé despedaçado
à bomba, em Gaza,
e a sua mãe a
recolher
e a embalar,
carinhosamente,
os seus
pedaços ao colo.
Na outra
televisão,
mostravam uma
idosa
ucraniana, desesperada,
enlouquecida,
por ter perdido
de uma só
vez, toda a família,
assassinada
por um míssil,
enquanto
dormiam na sua casa.
Bá soluçava
alto, descontrolada.
Os outros
clientes chamaram
o chefe de
sala e ordenaram-lhe:
- Veja se retira
aquela mulher daqui!
Queremos
comer em paz!
Jorge C. Chora
10/5/2024
-Sei no que
pensas!
Pensar é
algo tão pessoal
que ao isto
ouvirmos,
no mínimo,
sorrimos.
Quem tal
afirma,
ao ver a
dúvida
a bailar-nos
nos olhos,
pergunta em
tom de desafio:
-Queres a
prova?
-Claro que
sim!
-Queres
ver-me,
com um vestido transparente
e nada por
baixo.
Desde esse
dia, não duvido
que elas nos
leem o pensamento!
Jorge C. Chora
7/5/2024
Em dia
benfazejo,
condoeu-se o
vento
com a
situação do céu
e do mar.
Tão próximos
e tão distantes
um do outro,
pois de permeio
estava
sempre ele, o vento,
barrando uma
aproximação,
talvez um
irreprimível desejo
de um contato
mais íntimo,
quiçá, uma
ligação amorosa
entre ambos.
E o vento
não perdeu tempo,
soprou o mar
e o céu,
e
empurrou-os para os braços
um do outro
e o esperado aconteceu:
foi tal a
intensidade do encontro,
que o mar
subiu ao céu,
tendo este
ficado submerso,
não se distinguindo
um do outro.
Nesse mesmo
dia ficaram noivos,
e todos os
dias, sem falta,
quem olhar
para o horizonte,
não
diferencia o mar do céu,
porque se
amam de tal modo
ao ponto de
se tornarem um só!
E deste
casamento resultaram
os peixes do
mar, incluindo
os golfinhos
e os peixes voadores,
que andam
sempre a saltitar,
todos os
dias sem falta,
para darem um
beijo ao pai e à mãe
e que hoje
vão dar mil beijos à mãe,
por ser o Dia
da Mãe.
Jorge C. Chora
5/5/2024
As mães são
feitas de ternura e pedaços de céu: são seres celestiais a que se convencionou chamar
de anjos da guarda, com a missão de apaparicarem os seus filhos.
Jorge C.
Chora
4/5/2024
Olhavam-na com desdém,
mal disfarçando a inveja
a consumi-las de modo indisfarçável.
A galinha poedeira era uma estrela,
apaparicada pelo enorme
tamanho e qualidade dos ovos,
alimentada de modo especial,
habitando um local higienizado.
As outras galinhas,
alcunhavam-na de Madame,
um misto de desprezo e raiva,
tal o tratamento diferenciado,
tão acima do usufruído por elas.
Iam aos arames quando ouviam
“As quatro estações de Vivaldi” ou
“A flauta mágica” quando ela punha os ovos.
Um dia, a Madame explicou-lhes,
com o bico trémulo,
que a música servia para apaziguar o seu
cacarejar de dor, sempre que punha um
dos gigantescos ovos e ato contínuo,
mostrou-lhes o enorme rabo inchado.
Desde esse dia, as galinhas agradecem
a um deus galináceo, numa ladainha
repetida à saciedade,” Gratias Dominus”
não terem sido selecionadas como
poedeiras de ovos descomunais!
Jorge C. Chora
1/5/2024