domingo, 27 de outubro de 2024

ALGODÃO DOCE

 

Tu és como o algodão doce,

quanto mais voltas te dão,

maior e mais doce te tornas.

Tanto lambuzas quem te ama,

como quem de ti não gosta

e todos sabem agora,

quanto mais voltas te dão,

maior e mais doce te tornas,

ou não fosses tu como o algodão doce.

Jorge C. Chora

21/10/2024

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

SAUDADES FINGIDAS

 


Tenho saudades de quem,

 minhas também tem.

Há os que fingem por mim tê-las,

sendo falsas as que dizem sentir,

pois nunca as tiveram,

assim como eu deles não tive.

No entanto, com receio de que elas,

 acabem mesmo por se tornarem reais,

de tanto esforço despendido,

em mostrar saudades minhas,

que acabo por deles também as sentir,

não vá não ter saudades,

de quem saudades também de mim tem.

 

        Jorge C. Chora

          23/10/2024

domingo, 20 de outubro de 2024

OS ALDRABÕES D'AGORA E OS D'OUTRORA

 


Os aldrabões d’outrora,

diferiam dos d’agora:

os antigos roubavam tostões,

com malabarismos charlatões,

através da vermelhinha, cartas viciadas,

carteiristas e artigos contrafeitos, com exceção

do artista- mor, Alves dos Reis.

Sujeitavam-se a levar umas chanfalhadas,

irem parar ao calabouço ou levar umas bofetadas.

Os d’ hoje, desviam biliões,

impingindo e transferindo ações,

enganando e surripiando proprietários aos milhões.

Num abrir e fechar d’olhos,

entram-nos nas contas e deixam-nas

limpinhas, como se lá nunca tivesse

sequer existido um euro.

Passam despercebidos,

ninguém sabe quem são,

andem ou não na alta roda,

em Portugal ou no estrangeiro.

Se acaso são apanhados é difícil

serem condenados,

tantos são os advogados,

que é mais natural serem castigados,

os que ficaram sem nada,

do que os que com tudo ficaram.

        Jorge C. Chora

         20/10/2024

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

O TEU GINGAR

 

    

O teu gingar ao andar,

e as voltas que dás,

fazem-me os olhos rolar

e a cabeça virar para trás.

As minhas tonturas são,

permanentes e diárias,

e a todos fazem impressão,

pois ainda não te viram detrás,

sem uma bola a fintar

e as duas metades do céu a rebolar.

Já não sei se devo ou não olhar,

mas sei ser pecado o céu recusar!

          Jorge C. Chora

             16/10/2024

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

A MINHA PAINEIRA

 

Se és a minha Paineira,

eu sou o teu beija-flor,

ofereces-me o néctar

da tua mais rosada flor

e eu sugo-a com amor.

Todos os dias me esperas

 e eu nunca tardo nem falho,

para cultuar a tua rosada flor,

cujo néctar amorosamente

guardas para eu sugar,

tornando-te dia a dia,

mais rosada e suculenta.

     Jorge C. Chora

       14/10/2024

domingo, 13 de outubro de 2024

MULHERENGO E ANDARILHO

 

Só Deus sabe

quanto lhe custou,

quando ela o recusou,

por ser mulherengo e andarilho.

Só Deus sabe o que sofreu.

todo o seu ser lhe dizia sim

e ela dizia-lhe que não!

Andou perdido por esse país,

vendo-a a ela e só a ela,

em todas as mulheres que teve.

Até frei quis ser,

quando o turíbulo por ele passava,

 de incenso o banhava,

e seus pecados perdoava.

Só Deus sabe!

Ao regressar, encontrou-a casada,

após ter sido três vezes recusada,

por ter sido acusada,

de em si estar sempre a pensar!

Levou-a ao colo para sua casa,

e hoje vivem felizes,

tendo-se ela esquecido dos quatro maridos

com que fora casada.

        Jorge C. Chora

       13/10/2024

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

O MUNDO D'HOJE

 

 Pedir ou dar boleia,

isso é coisa do passado.

é comportamento perdido,

totalmente posto de lado.

De parte foi posto o sorriso,

o simples bom dia,

o piropo elogioso e educado,

a ajuda a quem cai,

o abraço a quem se conhece,

a conversa amena,

o café depois do jantar,

o beija-mão à dama cheirosa.

Hoje reina o não,

o medo do papão,

existente ou não,

o genocídio invertido,

por povo outrora perseguido

e hoje amante da carnificina.

Em plena democracia, ninguém fala ou faz

aquilo que devia: parar a guerra, condenar

os criminosos, respeitar as instituições.

Fizeram do mundo uma sanita,

onde os poderosos defecam,

em público e em qualquer lado,

e todos os outros se calam,

havendo até quem louve

a qualidade do cheiro,

e o privilégio de lhes limpar o traseiro,

estando esta classe de sabujos,

dos louva-lava- cús, em crescendo!

Enfim, um mundo onde o nu,

feminino ou masculino,

continua a ser alvo de censura,

se estiverem saudáveis, mas

que estando estilhaçados,

com um bebé no ventre esquartejado,

ninguém censura,

 por ser o pão do dia a dia!

 

       Jorge C. Chora

      11/10/2024