quinta-feira, 28 de novembro de 2024

A TOLERÂNCIA E A INTOLERÂNCIA


A cada valor positivo,

corresponde um negativo, 

mas a esta polaridade,

acontece algo estranho,

pois o negativo pode ser.

em alguns casos positivo.

Como assim?

A intolerância contra a ditadura,

é negativa ou positiva?

A intolerância contra os criminosos de guerra,

é ou não positiva?

A intolerância contra os intolerantes

…e pode continuar a lista se quiser…

            Jorge C. Chora

              28/11/2024

 


terça-feira, 26 de novembro de 2024

BONITA OU FEIA?

 

Ser-se bonita é relativo.

É -se bonita num sítio,

mas menos n’outro,

dependendo da região

do globo onde está.

Além de que se pode ser considerada

 bonita num sítio e horrorosa no

mesmo local!

Perguntem a uma criança,

 se a sua professora é bonita.

Dirá, eventualmente, que é linda

e se a virmos, salta-nos à vista,

de que de bonita nada tem,

sendo uma outra professora,

uma estampa, uma Bruna Lombardi,

vista como menos bonita

 ou mesmo como feia.

Os critérios foram outros:

Nuns predominou a estética física,

noutros a afetiva!

Convenhamos, no exemplo que dei,

 que a Bruna Lombardi só pode ser associada

 aos dois critérios e não há mais conversa.

                Jorge C. Chora

                   26/11/2024

sábado, 23 de novembro de 2024

A CALÇADA


Na calçada já gasta,

inclinada e esburacada,

tanto escorrega a rica como a pobre.

À rica ampara-a a açafata,

à pobre, o frio da calçada.

Pode dar-se o caso

de uma delas ser bonita,

e por perto estar um catita

que ao colo a acolhe

e um beijo na mão lhe deposita.

Azar para o catita, se a mão

em vez de perfume, cheira a alho

e então repreende:

- Tem de ter mais cuidado!

Mas, se a mão for da outra,

da perfumada e rica,

e a açafata chegou tarde,

então dirá:

- Minha senhora, sempre que eu estiver

por perto, não há perigo de monta e espeta-lhe

outro beijo, na delicada e perfumada mão.

         Jorge C. Chora

            23/11/2024


quinta-feira, 21 de novembro de 2024

DUAS MULHERES E UM AMANTE

 

Amavam-no e eram amadas,

pelo mesmo namorado,

em dias alternados,

por elas escolhidos

e por ele cumpridos.

Algumas dificuldades

por ele reveladas,

e por elas sentidas,

fizeram-nas considerar,

que esforço de que ele

 e elas vinham usufruindo,

talvez fosse um pouco exagerado.

Descobriram afinal, que ele

tinha outra amiga

e perderam toda a piedade:

combinaram entre elas,

exigirem todos os dias,

estarem com ele,

mas não ao mesmo tempo;

a uma cabia-lhe a manhã

e à outra a tarde.

Semana sim, semana não,

trocavam os turnos.

Livraram-se num ápice da Intrometida

que esgotava o seu amado

e tudo voltou à santa normalidade!

           Jorge C. Chora

               21/11/2024

domingo, 17 de novembro de 2024

A TOALHA MATA-BORRÃO

 

Sonho ser uma toalha

de tipo mata-borrão,

secar-te após o banho,

não esquecendo poro

algum do teu corpo.

Ver-te ao acordar

e ao deitar, na tua nudez,

estampada na minha toalha

mata-borrão, onde cada poro

 do teu corpo abençoado,

está presente e assinalado,

de dia iluminado pela luz do sol,

de noite pela luz fluorescente,

incidindo na toalha mata-borrão,

pendurada na parede do meu quarto.

          Jorge C. Chora  

           17/11/2024

sábado, 16 de novembro de 2024

OS LÁBIOS DE DUAS DEUSAS

 

De seus lábios,

nascem pérolas,

disfarçadas de palavras,

logo acolhidas, embaladas

e pelo vento espalhadas.

Quem as ouve, encanta-se,

são cristalinas e fazem sentido,

até vermos os próprios lábios a pronunciá-las.

A sua sensualidade transtorna-nos,

as palavras metamorfoseiam-se

 em meros sons, melódicos, mas secundários.

 Desejos incontroláveis

de os beijar e tornar a beijar,

sobrepõem-se a qualquer outro,

tornam-se um imperativo imediato e eterno:

Afrodite e Atenas nunca se tinham tornado numa só.

                 Jorge C. Chora

                  16/11/2024

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

OS SELVAGENS CITADINOS

 

Quem carros queima,

ao acaso e por puro sadismo,

de selvagem não passa:

é gente sem discernimento.

Destruir viaturas ao relento,

a pobres e remediados pertencendo,

único bem da maioria e de muitos, sustento,

não é loucura, é maldade e selvajaria.

Deixar na penúria quem os carros está a pagar

e sem eles fica e os continua a ter de pagar,

é tortura, atrocidade desumana,

barbaridade inominável e maquiavélica.

Pessoas desta índole, são bichos,

piores do que os animais, porque estes,

matam para sobreviver e não para se divertirem,

como os selvagens da teia urbana!

                     Jorge C. Chora

                       15/11/2024