quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

E NEM SEQUER ME OLHAVAS


Via-te passar e nem me olhavas.

 Fixei-te o andar,

 o vago olhar,

o teu leve pisar,

o sorriso de encantar.

O céu tornou-se mais azul

e quanto mais vezes por mim passavas,

mais azul o céu se tornava,

mas quanto ao olhares-me, nada,

era como se passasses por vinha vindimada.

Em desespero de causa, tentei aprender

 a cantar como os pássaros apaixonados.

 De tanto verem os meus esforços vãos,

resolveram dar-me a mão

 e sempre que ela passava,

uma sinfonia canora obrigava-a a parar

e a sentar-se a meu lado no banco,

e não tardou que a sua cabeça se encostasse à minha

e os nossos lábios se tocassem cada vez mais apaixonados.

Jorge C. Chora

29/01/2025

  

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

ÀS AVESSAS

 

Anda o mundo às avessas,

o importante é ter currículo,

em malfeitorias e outras vilanias.

Quanto maiores forem as patifarias,

mais seguro é o ganho e as garantias,

de sucesso e o acesso ao pódio,

e à respetiva medalha de ouro.

O cobre e a prata estão fora de questão,

ninguém as quer, são atribuídas sinecuras,

e contratos leoninos a quem o brindou,

com o lugar de rei sem coroa,

 e pala de pirata,

para conquistar países, anexar territórios,

e fama de mauzão, ao negar direitos e amar

o retrocesso civilizacional, disseminar a oligarquia,

e esmagar a liberdade!

         Jorge C. Chora

               21/1/2025

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

DIFERENTES SAUDADES

 

Há saudades de todo o tipo,

como as recíprocas,

entre quem parte

e quem fica.

Contam o tempo, mediando

a saída e o retorno do amigo

ou da pessoa amada.

Estas são as mais comuns,

a da ausência temporária

de um ente amado ou querido.

Outras há, onde as saudades

só são as dos que ficam,

pois quem parte,

deixou de as poder ter,

porque iniciou uma viagem sem regresso,

a morte lhe bateu à porta,

como a todos nós um dia acontecerá!

              Jorge C. Chora

               20/1/2025

 

sábado, 18 de janeiro de 2025

PALAVRAS DITAS E NÃO DITAS

 


Da minha boca saem

e nos teus ouvidos caem,

palavras de tanto agrado

quanto aquelas por ti proferidas

e por mim ouvidas.

Nenhuma se perde ou se desvia,

ainda mesmo as não ditas.

Mal os teus lábios se entreabrem,

sei, pelo jeito que lhes dás,

o sentido que lhes darás.

        Jorge C. Chora

            18/1/2025

 

 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

A NOVA RELIGIÃO

 

Do quinto dos infernos,

surgiram duas calamidades:

a barbárie e a insanidade,

tornando-se logo aliadas.

Transformaram-se, num ápice,

numa nova e dominante religião,

com sacerdotes sem escrúpulos

e muitos vassalos incondicionais.

Os seus dogmas são a inexistência

de leis que não sejam por eles ditadas

e a única liberdade é a de submissão

aos seus ditames e o desprezo pelas ideias

dos que ousam discordar, tendo implantado

novos desportos em substituição dos antigos:

o tiro aos pratos foi substituído pelo assassínio

de crianças, mulheres e velhos, altamente apreciada,

aprovada e louvada.

As fronteiras, independentemente das tradicionais,

são definidas segundo os seus interesses e a atividade

de demolição de edifícios, escolas e hospitais,

são exercidas com os utentes, doentes e moradores,

 no seu interior, de preferência e quanto maior o número de mortos,

mais medalhas e louvores são atribuídos aos assassinos.

E os sacerdotes da nova religião, ditam as leis, escolhem os juízes

e governam, substituindo as velhas democracias, pelas triunfantes oligarquias.

E os vassalos e seguidores da nova ordem, a tudo dizem ámen.

Jorge C. Chora

16/1/2025

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE UM SER INVERTEBRADO

 

·        Obediência cega.

·        Crendice absoluta em generalizações abusivas.

·        Endeusamento dos chefes.


             Jorge C. Chora 

                  15/1/2025

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

OS EMIGRANTES D'OUTRAS ETNIAS

 

Povo de emigrantes e andarilhos,

agora e outrora,

fomos os primeiros entre os últimos,

uma espécie de fidalguia,

entre as gentes servis,

limpando a porcaria,

que outros fazem e faziam,

no dia a dia.

Agora algo mudou,

subindo na escala social,

somos os últimos entre os primeiros,

 já destilamos vilania, soberba

e desprezo por aqueles,

que são aquilo que nós fomos

e muitos ainda são, mas longe

dos vizinhos, acusando os

d’outras etnias,

por tudo e por nada,

tornando-os alvos e vítimas

de generalizações injustas,

tomando a parte pelo todo.

O mais espantoso é que

continuamos a ser um povo de emigrantes

que odeia emigrantes,

esquecendo-nos do que nos aconteceu e acontece,

no dia a dia, n’outras paragens,

em que nós é que somos d’outra etnia!

Felizmente não somos todos assim.

           Jorge C. Chora

                14/1/2025