segunda-feira, 18 de maio de 2026

A FILA À PORTA DA MERCEARIA

 

 SE FOR PUDICA(O) NÃO LEIA OU LEIA ÀS ESCONDIDAS

 

               A FILA À PORTA DA MERCEARIA

Uma fila, não tão grande como as das finanças, estava formada à entrada de uma pequena mercearia.

A maioria das pessoas eram senhoras idosas e alguns homens. Uma senhora recém-chegada, admirada com o que estava a passar perguntou:

--Estão a dar alguma coisa?

--Sim e não! -respondeu uma das presentes.

-- Como assim? – surpreendeu-se quem fizera a pergunta.

-- Lá dentro existe um cartaz que diz que” Quem apalpar a fruta, sofrerá o mesmo tratamento por parte do dono”. Estamos todas(os) prontos para ir apalpar a fruta.

--Somos idosas(os), já perdemos os dentes, mas não o vício, pertencemos todos à geração do Woodstock. Na altura éramos jovens de 20 anos.

E a recém-chegada não hesitou e disse:

--Sou a mais velha que aqui estou, portanto tenho prioridade e colocou-se na frente da fila.

Acabada de entrar, virou-se para o dono e disse:

--Já apalpei a fruta, mas o senhor não viu. Quero o castigo que mereço!

 

Jorge C. Chora

18/5/2026

domingo, 17 de maio de 2026

 


 


POEMAS SÃO ROSAS

Poemas são rosas,

aromas delicados,

confessando amores,

às suas namoradas.

   Jorge C. Chora

     17/5/2026

 

                               


                                            Foto de Mª Adelaide H. Chora


 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

AS MÃOS E OS BEIJOS


As mãos dadas,

são uma ligação

a quem amamos.

Elas transmitem-nos

o calor corpóreo,

a posse mútua

desejada e visível.

 a ternura proporcionada,

nos toques desejados e sentidos.

e por isso se beijam amiúde,

a qualquer hora do dia ou da noite,

em todas as estações do ano,

quer faça chuva, quer faça sol.

          Jorge C. Chora

            14/5/2026

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A VIDA E O PESSEGUEIRO


A vida é como uma árvore de fruta caduca,

tal como o pessegueiro.

Cresce com cuidados,

veste-se de rosa,

branco ou vermelho

e d’outras cores chamativas,

como os jovens na flor da vida.

Os seus frutos são suculentos e apreciados,

mas no outono da vida,

as suas lindas folhas

murcham e caem.

Mas a vida renasce com a polinização.

A sua herança,

cresce à vista de todos

e com os devidos cuidados,

não deslustra os seus antepassados,

podendo até superá-los.

 

     Jorge C. Chora

       11/5/2026

sábado, 9 de maio de 2026

A LISBOA D'OUTRORA E A D'AGORA

 

Na Lisboa d’outrora,

falava-se de janela para janela.

D. Zélia pedia à vizinha:

- Tens coentros Luísa?

- Tenho, queres cá vir ou vou aí

levar-te, falamos um pouco

 e bebemos um copito?

E a conversa decorria amena

e picante se fossem novas,

ou sobre o sermão do velho cura

se fossem mais idosas.

Na Lisboa d’agora,

 já não é mau darem-se os bons dias,

 ao cruzarem-se no elevador,

e uma olhadela rápida,

ao modo como vão vestida(os)

E há quem goste mais da Lisboa d’outrora,

do que a d’agora

e quem adore as modernices d’agora

e deteste o retrocesso d’outrora,

sem perceberem que continuam a coexistir,

embora em diferentes locais da cidade,

as duas Lisboas: as dos bairros e as d’agora.

                           Jorge C. Chora

                                9/5/2026

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O COGUMELO

 

Oi! Cogumelo!

-Chamo-me Melo

e não cogumelo!

Vê se atinas ó parolo!

-Está bem Cogumelo.

Todos os dias algum camelo,

o chamava de Cogumelo.

Passaram-se anos e o flagelo

persistiu apesar do apelo.

Um dia encontrou Consuelo,

antiga colega espanhola,

que o saudou com um ósculo

e exclamou:

-Há anos que não te via Cogumelo!

- Olha que ainda hoje não sei,

 por que me alcunharam de Cogumelo! -confessou Melo.

-Lembras-te de quando vocês competiam

a ver quem urinava mais longe?

As miúdas da turma observavam-vos às escondidas

e tu tinhas “aquela coisa” parecida com um cogumelo!

Olha, a propósito, como te chamas afinal?

- Fui ao registo e mudei o apelido de Melo para Cogumelo!

                 Jorge C. Chora

                     7/5/2026

 

sábado, 2 de maio de 2026

SEM SENTIDO

 

Na vida duas certezas há:

a do fim ser certo,

e não existirem certezas,

sobre a forma como a vida

se vai desenrolar, pois

ela é feita de mudanças.

Perante as incertezas,

tratar mal quem pode morrer,

hoje ou amanhã,

inclusive nós, qual o sentido

das animosidades que nutrimos

uns pelos outros?

    Jorge C. Chora

        2/5/026