domingo, 18 de outubro de 2026

O AGIOTA E O NOVO-RICO

 

Na pança, o vento

do esgoto fedorento,

na cabeça, o fruto

do resíduo do intestino.

Num braço um Rolex

e no outro, um mais

caro para verificar

se aquele batia certo,

com a hora de ir ao agiota,

seu cérebro e testa de ferro,

os juros daquela semana

levantar.

Veio a crise e ninguém pagou,

os investimentos caíram a pique.

Descobriu nada ter,

e passar a ser funcionário do agiota,

o verdeiro rico que não usava anéis,

e no pulso um simples Casio de 5 euros.

Morreu de apoplexia o novo-rico,

e quando o seu caixão debaixo das janelas

transitou, ninguém uma lágrima derramou

e o agiota nem à janela assomou.

           Jorge C. Chora

           18/10/2026

 

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