terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O BEM-ME QUER


Um bem-me-quer
é um sentimento
feito flor,
tecido por dois seres
que se sentem bem,
a pensar e a cuidar
um do outro,
gritando em uníssono,
quando, por acaso,
 se distanciam:
- Anda para ao pé de mim!


Jorge C. Chora

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

OPINIÕES


Banalidades são
o que achamos,
em geral,
das opiniões
que os outros dão.
Muitas serão,
algumas não.
As suas,
quem sabe,
que peso terão.
As opiniões,
no entanto,
têm diferentes pesos
e valores:
recuse as daqueles
 que nunca as mudam,
porque as não têm,
como diz o poeta,
assim como a dos
que as alteram,
constantemente,
de acordo com as
modas e as ocasiões,
esperando aplausos
pelas suas exibições.

Jorge C. Chora

domingo, 4 de dezembro de 2016

A MAGIA DO CHOCOLATE


Chocolate e amor
são o verso e reverso
da mesma moeda,
em tudo semelhante
a um casal
que se enlaçou
e nunca mais
se separou.
Quem aceite e aprecie
 um chocolate,
mesmo que não seja linda,
torna-se bela aos olhos
de quem lho deu:
tão bela que pode
ascender à categoria
de divina e surpreender-se-á,
se os seus braços
forem substituídos por asas,
aos olhos do seu amado.


Jorge C. Chora

sábado, 3 de dezembro de 2016

É A VIDA!



Lancei uma semente
ninguém a apanhou,
semeei-a e ninguém me ajudou.
Na hora de a colher,
ninguém trabalhou,
na hora de a comer,
toda a gente a provou.


Jorge C. Chora

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O PINGA-AMOR


Que bem me sabem
as palavras de amor
que me murmuras ao ouvido,
conluiadas ao vento
suave que se faz sentir,
inundando-me a alma
que, de pronto se acolhe
ao teu sentir e to devolve,
em tons de rosa,
 tal e qual um pinga-amor.


Jorge c. Chora

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O SEMÁFORO


O semáforo
promove a aldeia,
dá-lhe categoria,
obriga as viaturas
a pararem em
locais onde nunca
se deteriam.
Entre o vermelho
e o verde
vai uma eternidade
e dá para ver,
que não há ruas
nem à direita
muito menos à esquerda
e que casas,
 nem sequer vê-las.
Ah! Se não houvesse
semáforos
na minha aldeia,
que triste seria
a vida
lá na terra.
E porque assim é,
que se peçam
no mínimo quatro:
Para a entrada,
saída e para a metade
equidistante,
sobrando o quarto
 para o dia
em que se lembrem,
de que faz
falta uma estrada,
para a futura casa
do autarca.


Jorge C. Chora

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CHARLIE CARLITOS

                                                     
Charlie, ou melhor, Charlie Carlitos, anda há semanas com um humor de cão. Acalentou o sonho, durante anos, de emigrar para os “States”. Aprendeu inglês com o sotaque americano, a que nem faltava o longuíssimo “ÓHÓHÓH YÁÁÁ”.

Afeiçoou-se à coca cola, filiou-se na classe dos ruminantes da pastilha elástica, frequentou “macdonalds” e comeu as medonhas “french fries standardizadas” , de batata sensaborona.
Diga-se, de passagem, que esta ambientação foi facílima, porque, mesmo na aldeia, havia convertidos ao modo de vida do outro lado do mar.

Fez das tripas coração e, imaginem, mudou de Carlitos para Charlie para uma mais fácil integração nos “States”. Arrependeu-se a tempo da americanização do nome e amenizou a sua atitude traiçoeira para com o país amado, deixando acoplado ao Charlie o seu antigo nome, passando a ser o Charlie Carlitos.

Zangou-se com todos os que tentaram adverti-lo de que não poderia esperar que o tratassem lá, como na aldeia. Como assim? Perguntava, irritado, acelerando a sua Harley, o que impedia qualquer conversa sobre o mesmo assunto.

Como se estava em tempo de eleições na terra do Tio Sam, aconselharam-no a ouvir o que os candidatos diziam, nomeadamente o multimilionário, sobre os mexicanos, latinos e outros que tais.
Quando isto lhe diziam, a sua fúria redobrava, perguntando, raivoso, o que é que ele tinha a ver com esses indivíduos. Explicavam-lhe que os portugueses eram confundidos, de propósito ou não, com essas etnias e que até eram considerados não brancos. Torcia o nariz, fungava e dizia entre dentes: vai embarretar outro.

Certo, certo, é que passou daí em diante, a ouvir os debates com atenção e foi ficando consciente das propostas estranhas que se iam fazendo em relação aos estrangeiros …

No dia das eleições não se deitou. Desde que soube quem foi o vencedor, contraiu, ou parece ter contraído, a doença do humor de cão.

Agora, sempre que passa pela sua Harley, olha-a de lado e diz:

-Sei lá se não pertenceste ao milionário…


Jorge C. Chora