domingo, 7 de abril de 2019

DELÍCIAS D'AMOR




Andam no ar
delícias d’amor,
algumas à medida
do teu pudor.
Por favor,
abraça-as,
recusa perdê-las,
e ama-as
com todo o fervor.

Jorge C. Chora 

7/4/19

quarta-feira, 3 de abril de 2019

"MÃOS DADAS A MOÇAMBIQUE"




Secam-se pântanos,
reerguem-se
casas e muros,
dão-se as mãos,
entrelaçam-se vozes
e acordes musicais.
Surgem cuidados
de um povo irmão,
um empurrão
à desgraça,
um claro apoio
à reconstrução,
à saúde e ao pão.

Jorge C. Chora 

3/4/19


quinta-feira, 28 de março de 2019

A ÁRVORE DOS SORRISOS



 Abriram os olhos de espanto ao ouvirem um vendedor ambulante de tapetes, falar numa árvore dos sorrisos. O homem estava sentado à mesa de um café, soprava e depois bebia um chá fumegante. Conversava com alguém que examinava a sua mercadoria.

-Pois é…o preço está tão baixo …não consigo baixá-lo mais…- defendia-se o vendedor.
-Se fossem mais em conta levava dois, em vez de um… -respondia o comprador.
E o vendedor levantou as suas enormes pestanas, sorriu e disse:

-Se baixasse o preço, mais valia ter ficado na minha linda terra, rodeado de árvores do sorriso…

E mais não conseguiram ouvir porque os pais tiveram de se ir embora e os levaram.
Bernardo e Helena, sempre que tinham oportunidade, perguntavam às pessoas crescidas se conheciam a árvore dos sorrisos.
As respostas eram mais ou menos as mesmas:

-Árvore dos sorrisos? Nunca ouvi falar… mas até dava jeito se existisse uma, ou mesmo algumas…
Com o tempo, Bernardo e Helena acabaram por deixar de perguntar fosse a quem fosse por aquela árvore, tantos tinham sido os sorrisos zombeteiros dos seus interlocutores.

Nunca mais falaram de semelhante fenómeno e fingiram calar, bem fundo, a sua curiosidade.
Um dia os seus pais levaram-nos a um país onde ainda não tinham ido.

Num passeio que fizeram a uma zona meia desértica e quente, ao olharem para uma árvore de troncos retorcidos e espinhosos, não contiveram um sorriso de espanto: em todos os troncos havia cabras empoleiradas. Entreolharam-se e respiraram fundo: tinham finalmente encontrado a árvore dos sorrisos. Ela existia mesmo.

Durante muito tempo, Bernardo e Helena viram as cabras deliciarem-se com os frutos de argão, pois assim se chamavam, de acordo com a informação dada pelos marroquinos presentes.
Bernardo e Helena suspiraram de alívio: não fora em vão, que tinham mantido a sua curiosidade sempre presente ao longo dos anos.

E o leitor(a) sabe quão importante é o argão para a economia marroquina e norte africana, para além de despertar sorrisos, devido às cabras trepadoras empoleiradas nas árvores?

Jorge C. Chora
28/3/19

terça-feira, 26 de março de 2019

COITADO DESTE PAÍS



Coitado deste país,
lindo por fora,
podre na raíz.
Gente boa excluís
e corruptos atraís

É lícito querer
ser e ter,
sem a comunidade defraudar
ou a riqueza de todos, delapidar.

Jorge C. Chora
26/3/19

quinta-feira, 21 de março de 2019

SORRI MEU AMOR



O teu sorriso
é tudo quanto preciso,
neste dia de primavera.
Vale o paraíso
e não o dispenso,
sorri meu amor,
pois o teu riso
é mesmo tudo quanto preciso.

Jorge C. Chora 

21/3/19

terça-feira, 19 de março de 2019

ANA MOURA



A tua rouquidão
transporta um sonho,
é filigrana moura,
véu de versos encantados,
doces murmúrios
aos meus ouvidos sussurrados,
por uma fada,
para o fado talhada.

Jorge c. Chora
19/3/19

segunda-feira, 18 de março de 2019

BEIRA



Silvam os ventos
galopando
a tempestade,
varrendo
a cidade onde nasci:
Ela treme,
mas resiste!

Veio a chuva diluvial
e quase a submergiu:
Ela treme,
mas resiste!

Resta-lhe agora
emergir,
reagir,
e mostrar
a recusa em afundar-se,
pois um beirense nunca se afunda,
esteja o mar como estiver,
ande ele por onde andar.
Resiste!

Jorge C. Chora
18/3/19