terça-feira, 18 de junho de 2019

MORO NO TEU PEITO



Moras no meu peito
tal como eu no teu,
somos cativos um do outro
como se tivéssemos o mesmo coração,
 embora saibamos serem dois
 a bater ao ritmo de um só.

Jorge C. Chora 

  18/6/19

sábado, 15 de junho de 2019


   ALGUNS DESENRASCANÇOS DA BUROCRACIA ECLESIÁSTICA
                                          O EPISÓDIO DA GALINHA  

Profissionais das mais diversas profissões, adoptam estratégias variadas para denunciar algo que se passou e não querem deixar em brancas nuvens, principalmente tratando-se de dívidas.
Chegou-me às mãos um registo paroquial, deveras curioso, cedido por uma historiadora que se dedica às investigações paroquiais.
Este registo de batismo, de Vila Mendo, freguesia de Vila Fernando da Guarda, datado do século XVIII, após registar, de acordo com a época e as fórmulas eclesiásticas em vigor, tudo o que era de lei, faz questão de dar uma informação de que este acto não fora pago. Na margem esquerda do registo paroquial, acrescenta-lhe o padre cura a informação: deve uma galinha.
Ora tomem: se o serviço tem preço, é preciso que seja honrado, independentemente do grau de pobreza de quem o solicitou. Aí está o libelo eterno de quem faltou aos seus deveres, sem apelo nem agravo, aos olhos dos vindouros: DEVE UMA GALINHA. 

                                                    AFINAL RESSUSCITOU

Noutro registo, também do século XVIII, em Mesquitela, Mangualde, foi feito um registo de batismo .
Cerca de dois anos mais tarde, na margem esquerda do documento, acrescenta-se a data do seu falecimento e logo a seguir, a menção: Ainda está vivo, ressuscitou.
Actualização constante, poupança de registos, emendas imediatas, correcção de erros?
Conclui-se ser mais um desenrascanço eclesiástico .Tudo está bem quando acaba bem: afinal  tratou-se de uma ressurreição!

Jorge C. Chora
15/6/19



quarta-feira, 12 de junho de 2019

BEIJOS DE UMA SÓ COR




Os beijos de
uma só cor,
azuis ou amarelos,
não têm sabor,
porque os recheados de amor,
são como o arco-íris:
repletos de cores,
com cheiro a manjerico,
e dados com as bênçãos
de Stº. António.

Jorge C. Chora 

12/6/19

sexta-feira, 7 de junho de 2019

BOM DIA


    
Acordar e ver-te,
ser o primeiro
a desejar-te um bom dia,
sem falhar um único dia,
é saber-me vivo e bem acompanhado,
ter com quem partilhar
e bochechas beijar.
É muito bom acordar
e ser o primeiro a
desejar-te bom dia,
logo ao nascer de um novo e grande dia,
sem falhar um único dia.

Jorge C. Chora
7/6/19


quarta-feira, 5 de junho de 2019

AMÊNDOA DOCE



A tua cara é uma 
amêndoa açucarada,
redonda e doce,
aos amigos ofertada.
Aos antipáticos,
nem sempre lhes
mostras o merecido fel,
o caroço amargo,
continuas a apresentar-lhes
a tua face de amêndoa
doce e redonda,
incapaz de destilar fel,
amiga de amor e mel.

JORGE C. CHORA
5/6/19



sábado, 1 de junho de 2019

O AZUCRINADOR



Nasceu de olhos abertos. Quando a fome apertava, berrava em vez de chorar. À mãe secou-se-lhe o leite, mas isso não o impediu de ter a alimentação de modo atempado.

Aprendeu ou já vinha programado, a apontar o biberão e a emitir sinais sonoros, de tal forma audíveis e irritantes, que primeiro tinha de ser atendido ou o berçário entrava em polvorosa.

Cresceu e alcançou a idade adulta num ápice.

Escolheu a música como meio de sobreviver mas recusou-se a aprendê-la. Não esteve para isso.
Ganha a vida num ponto estratégico da cidade. Toca com tal desafinação que ninguém, em juízo perfeito, deseja escutá-lo. Não há quem recuse dar-lhe uma moeda. Se o seu valor for baixo, ele desafina com toda a gana.

Ao fim do dia tem o saco repleto de moedas. Quem tem o desplante de por ele passar, sem lhe doar o que ele acha merecer para não os azucrinar, é certo e sabido que tem o dia estragado: rebenta-lhes com os ouvidos.

Os mais jovens, mais criativos, acharam uma solução: passam por ele com os auscultadores colocados, não sem que antes lhe desejem um sonoro bom dia.

JORGE C. CHORA
1/6/19

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A CANÇÃO DO BANDIDO




De tudo o que aí está,
nada quero,
ou melhor,
só um nadinha de
nada,
de tudo o que aí há,
ou seja, quase nada,
só uma nadinha de nada,
e isso,
é o mesmo que nada.

Jorge C. Chora
29/5/19