terça-feira, 16 de julho de 2019

NOITES DE LUAR



Quando a lua
te confessa os seus
segredos,
e tu lhe contas
os teus,
as noites de luar,
desvendam-lhe a face
e revelam-na enamorada.

JORGE C. CHORA
16/7/19

sexta-feira, 12 de julho de 2019

NEM FEIOS NEM AXINS,OUTRORA ERA ASSIM



A falar axim
e feios assim,
ouviam atchins
em vez de sins.

Disse sim
ou nim?
Se dissesse sim,
e deixasse o axim
podia ser sim.

Aprendeu o sim,
deixou o axim
mas, feio assim?
antes o axim.

Só com padrinhos ricos,
casos assim,
feios e axins
passavam a ouvir sins.

Jorge C. Chora
12/7/19

quinta-feira, 11 de julho de 2019

A LIBERDADE DAS ROSAS



No país das Rosas,
beleza e aromas
elogiadas sempre foram.
É altura de se libertarem
e mostrarem realmente
o muito que valem,
para além da beleza e aromas,
cujo valor lhes quiseram
atribuir como principais,
senão únicos apanágios..

Jorge C. Chora
11/7/19

sexta-feira, 5 de julho de 2019

A MINHA FLOR




No parapeito
da minha janela,
habita uma flor
que me sorri,
como se todos os dias
fossem de primavera.
Duas palavrinhas
e uma gotinha de água,
asseguram-nos,
a mim e a ela,
eternas manhãs primaveris.

Jorge C. Chora
5/7/2019

quarta-feira, 3 de julho de 2019

TRAGO NO PEITO


Trago no peito
a alegria de te amar
e saber-te,
tal como eu,
com o gosto
de a trazer,
pelo teu sentir por mim.

Jorge C. Chora 

3/7/19

terça-feira, 2 de julho de 2019

OS SALTA-POCINHAS DA ESTAÇÃO DA CP NA AMADORA E NÃO SÓ


                      
Presenciei a capacidade atlética de um casal ainda jovem, ao sentarem-se, num só impulso, no topo das barras laterais das cancelas automáticas, de acesso às plataformas da estação. De seguida, colocaram-se em pé e passaram por cima das cancelas, com a maior facilidade. 

Transpostas as barreiras, saltaram para o chão, subiram as escadas no sentido de Sintra, devagar, devagarinho, seguros de si, gozando a gratuitidade da sua viagem.

Já vi noutras estações, muitos” penetras” forçando as entradas, mas nenhum com esta elegância e sem nada estragarem.

Os salta-pocinhas que vi, não pareciam propriamente desfavorecidos, muito menos oriundos de bairros periféricos ou artistas pobres, necessitados de transporte, a caminho do seu ganha-pão. Ainda que assim fosse, não se aceitava este comportamento, embora se percebesse a artimanha e a necessidade de a ela recorrer.

Jorge C. Chora
2/6/19

domingo, 30 de junho de 2019

A MENINA BEATRIZ COSTA E O AMADORENSE ANTÓNIO MIGUEL COSTA DA SILVA




A artista viveu durante décadas no Hotel Tivoli em Lisboa. Conforto e carinho não lhe faltaram. O senhor António Miguel Costa da Silva, nascido em Lisboa, mas residente na Amadora há longa data, trabalhava na manutenção do hotel, nomeadamente como electricista e teve a oportunidade de com ela privar durante dezasseis anos. Miguel Silva recorda-se com saudade da menina Beatriz.

A menina Beatriz Costa, como gostava de ser chamada, contava com as suas atenções profissionais, assim como das de sua esposa, D. Maria do Céu, uma das duas floristas do hotel, durante 40 anos, nesse mesmo local de trabalho.

Quando a menina Beatriz necessitava dos seus serviços, chamava-o. O sr. Miguel Silva recorda-se de uma ocasião, pela duas da manhã, a artista aflita ter recorrido aos seus serviços, em virtude de numa mala ter um casaco que não podia estar mais de duas horas, sem estar no frio. Era preciso abrir a mala, cuja fechadura viera danificada de Espanha. Com toda a boa vontade, Miguel Costa ia resolvendo as situações.

A menina Beatriz não se esqueceu de quem a ajudava e considerava. No seu livro  ”Eles e  Elas…”na página 104 grafou, a propósito das ajudas que recebia, na reparação do que ia necessitando ”… Miguel e Ventura (chefe do sr. Miguel) “ e fica tudo na mesma, como foi inaugurado...” 

Jorge C. Chora 

30/6/19