domingo, 3 de março de 2024

AMOR E PAIXÃO

 

O amor e a paixão,

casaram-se ao luar.

Uma chuva de ais,

abençoou esta união,

de longa duração,

de dia ou de noite,

de inverno ou de verão,

sem hora nem saturação.

Em dias de lua cheia,

são noites e madrugadas,

entrelaçados até mais não,

amando-se até caírem de exaustão!

        Jorge C. Chora

            3/2/2024


quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

QUEIXUMES

 

      

No antigo reino das tascas,

das petingas, do tinto e das pataniscas,

todos as podiam frequentar.

Hoje, só os cortesãos, com as bolsas

de euros forradas, lá podem petiscar.

O tinto só não é servido em dedais,

porque não calha:

as petingas são grandes carapaus

ao preço da lagosta;

as pataniscas, coitadas, competem,

em tamanho, com o dedo mindinho,

mas ao preço do leitão real e do bacalhau.

Assim sendo, é melhor não os cheirar,

quanto mais comê-los!

 

         Jorge C. Chora

            29/2/ 2024

sábado, 24 de fevereiro de 2024

OLHARES

 


Trocaram olhares

de modo furtivo,

fingindo ser por acaso,

mas a eles ficaram presos,

ainda que se tivessem esforçado,

para deles se libertarem.

Sem chaves nem gazuas,

passaram a ser um do outro

e não há quem possa desfazer o nó,

ao laço dado por um simples olhar.

            Jorge C. Chora

               24/2/2024

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

A BELA SOFIA

 


É vaidosa e exuberante,

pavoneia-a entre as outras,

exibindo o belo peito,

e de vez em quando saltita.

Delicadamente debica,

os manjares que aprecia.

As longas e firmes pernas,

permitem-lhe firmar-se

numa só, deixando-se

observar, provocando a inveja

das suas iguais, mas menos afortunadas,

no que diz respeito às pernas nuas,

despidas de artifícios e meias de nylon.

Detesta as refeições, a que não faltam colegas suas,

sejam elas grandes ou pequenas,

por isso lhe chamam a sortuda Sofia

que todos os dias cacareja,

agradecendo à sua boa estrela,

o facto de ainda não ter acabado na panela.

              Jorge C. Chora

                  20/02/024

domingo, 18 de fevereiro de 2024

À TOA NA AVENIDA

 

 

Nunca se sabe se vai ou se vem,

para onde foi ou d’onde veio,

quando anda à toa na avenida,

procurando alguém em seu redor,

 com quem conversar,

seja homem ou mulher, novo ou velho,

sábio ou menos sabedor.

E eis que vislumbra um jovem casal,

despertando-lhe a esperança de uma boa conversa.

Sorri-lhes, num agradecimento antecipado,

pelos momentos ansiosamente esperados.

O seu intento depressa vê gorado,

quando ela lhe comunica quanto cobra

 pelos seus serviços, enumerando-os de rajada.

Boquiaberto ouve o homem dizer à mulher,

que ele está mais interessado nele do que nela,

anunciando quanto leva pelos seus préstimos.

Já não se pode andar à toa na avenida,

para se estar só sentado e desejar falar!

                Jorge C. Chora

                   18/2/ 2018

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

DORMIR SÓ

 

Não gostava de dormir só

e à medida que a noite passava,

ainda mais lhe doía a solidão.

Sonhou com um tapete voador,

para mais depressa conseguir

chegar à sua amada e adormecer

nos seus braços, aconchegado

nos seus seios, com ela sussurrando

nos seus ouvidos, o amor por ele sentido.

Hoje, ao acordar, achou ter recebido

o sonhado tapete voador e iria nessa noite,

acabar de vez com o tormento de dormir só.

           Jorge C. Chora

            16/02/2024

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

NO TEMPO DAS MÃOS DADAS


 

NO TEMPO DAS MÃOS DADAS

No tempo das mãos dadas,

sorria para a minha namorada,

com a sua cara para mim virada,

descansando na praia estendida,

espreitando, sempre que podia,

os seus belos e brancos seios,

até ela os esconder como podia,

sempre que disso se apercebia.

Deixava que a sua mão lhe beijasse

e os seus lábios ao de leve lhos tocasse

e tudo o resto, só de pensar, era demais.

Aí o tempo das mãos dadas,

e os beijos na mão ainda não passaram,

embora hoje, passadas tantas décadas,

ainda lhe espreite os seios e os possa beijar,

tudo com conta, peso e medida para não perder o desejo.

Sabida a minha eterna namorada,

ainda do tempo das mãos dadas.

          Jorge C. Chora

             14/02/2024