quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

A GINJINHA

 


Se começar o dia,

com uma cerveja,

e continuar ao longo do dia

com uma ginjinha,

ao meio-dia,

dará troco a quem não pagou

e pedirá dinheiro,

a quem a dívida já quitou.

     Jorge C. Chora

       19/12/2024

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

DEIXAR DE SER


Se ele fosse

como querias,

todos os dias

o mudarias,

como se obra tua pertencesse.

Depressa te fartarias,

de quem deixasse

de ser quem é,

para ser quem tu querias.

 

    Jorge C. Chora

      18/12/2024

sábado, 14 de dezembro de 2024

UM DESAPARECIMENTO SUSPEITO


O ar pensativo de Carlos, alertou o amigo, para algo grave que com ele se passava.

-O que te preocupa tanto meu amigo?

-Fui às compras, mas agora falta-me uma caixa de pastéis de chaves!

- Talvez a tenhas deixado nalgum sítio.

_Fui a tantos e não me recordo!

-E na pastelaria onde os compraste?

- Também não me lembro! Em algum lado foi.

E o amigo, continuando a ajudar o Carlos, foi fazendo sugestões, umas a seguir à outras, mas nenhuma reavivou  a memória do Carlos. De repente, perguntou-lhe:

- Está na hora do almoço. Tu que estás sempre com fome, tens alguma fome?

- Por acaso, agora que perguntas, digo-te que não tenho nenhuma.

- Então está resolvido o mistério!

- Como assim? - perguntou Carlos de sobrancelhas franzidas.

- Se não tens fome é porque os comeste todos!

- Olha, agora que falas nisso, lembro-me de os ter comido todos. Estavam tão quentinhos!

Jorge C. Chora

14/12/2024

 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

A CULPA É DO VENTO

 


Rua abaixo rua acima,

era a sua rotina diária.

Num café bebia tinto,

noutro bebia branco.

Mais acima um Martini,

no regresso uma jeropiga,

no seguinte um Favaios,

mergulhado num fino.

Chegado ao fim da rua,

 recomeçava, a peregrinação, oscilando

de um lado para o outro do passeio,

altura em que invetivava o vento:

- Maldito que não me deixas andar direito!

E quando de vez em quando se estatelava,

aí zangava-se a valer:

-Maldito tufão!

 

Jorge C. Chora

10/12/2023

domingo, 8 de dezembro de 2024

O REINADO DOS LOUCOS

 

Ventos fétidos

são soprados,

e não há cantos

do mundo defendidos,

por sopros divinos:

são todos malévolos,

enterrando a ternura e o amor,

trazendo das profundezas putrefactas

o terror, o medo e a morte.

Reina a loucura, o louvor aos sequazes,

a ameaça insana, o desprezo pelo mundo,

a violação das regras,

a impunidade dos governos criminosos,

o gosto pelas ameaças,

o apego à maldade e à loucura feita normalidade.

             JORGE C. CHORA

                    8/12/2024

 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

ESTRATÉGIA

 

Sem que para ela olhasse,

nem pela sua presença desse,

ela cara feia fez.

Como não queria

sofrer nenhum revés,

quis que todos pensassem,

não ser ela que nele

algum interesse mostrava,

sem ele saber ou sequer suspeitasse,

dos sentimentos dela por ele nutridos.

         Jorge C. Chora

           6/12/2024

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

A ÁRVORE QUE PPAROU DE CRESCER

 

Quando da tasquinha vinha,

sempre uma dor de barriga tinha.

A calça baixava

e só por um triz não as borrava.

A mesma árvore fertilizava.

e todo o mundo via,

que ela desmesuradamente crescia

e ninguém o motivo sabia,

só a árvore, a razão conhecia.

Um dia, o homem que da tasca à casinha ia,

a árvore não fertilizou

e até de por ali de passar deixou,

porque à boleia a ir passou.

A árvore, tristonha, de crescer parou

e há quem jure tê-la ouvido lamentar-se:

-Será que ele, outra árvore decidiu estrumar?

     Jorge C. Chora

          2/12/2024