Se começar o
dia,
com uma
cerveja,
e continuar
ao longo do dia
com uma ginjinha,
ao meio-dia,
dará troco a
quem não pagou
e pedirá dinheiro,
a quem a
dívida já quitou.
Jorge C. Chora
19/12/2024
Se começar o
dia,
com uma
cerveja,
e continuar
ao longo do dia
com uma ginjinha,
ao meio-dia,
dará troco a
quem não pagou
e pedirá dinheiro,
a quem a
dívida já quitou.
Jorge C. Chora
19/12/2024
Se ele fosse
como querias,
todos os
dias
o mudarias,
como se obra
tua pertencesse.
Depressa te
fartarias,
de quem
deixasse
de ser quem
é,
para ser quem
tu querias.
Jorge C. Chora
18/12/2024
O ar
pensativo de Carlos, alertou o amigo, para algo grave que com ele se passava.
-O que te
preocupa tanto meu amigo?
-Fui às
compras, mas agora falta-me uma caixa de pastéis de chaves!
- Talvez a
tenhas deixado nalgum sítio.
_Fui a
tantos e não me recordo!
-E na
pastelaria onde os compraste?
- Também não
me lembro! Em algum lado foi.
E o amigo,
continuando a ajudar o Carlos, foi fazendo sugestões, umas a seguir à outras,
mas nenhuma reavivou a memória do
Carlos. De repente, perguntou-lhe:
- Está na
hora do almoço. Tu que estás sempre com fome, tens alguma fome?
- Por acaso,
agora que perguntas, digo-te que não tenho nenhuma.
- Então está
resolvido o mistério!
- Como
assim? - perguntou Carlos de sobrancelhas franzidas.
- Se não
tens fome é porque os comeste todos!
- Olha,
agora que falas nisso, lembro-me de os ter comido todos. Estavam tão quentinhos!
Jorge C.
Chora
14/12/2024
Rua abaixo
rua acima,
era a sua
rotina diária.
Num café
bebia tinto,
noutro bebia
branco.
Mais acima
um Martini,
no regresso
uma jeropiga,
no seguinte
um Favaios,
mergulhado
num fino.
Chegado ao
fim da rua,
recomeçava, a peregrinação, oscilando
de um lado
para o outro do passeio,
altura em
que invetivava o vento:
- Maldito
que não me deixas andar direito!
E quando de
vez em quando se estatelava,
aí
zangava-se a valer:
-Maldito
tufão!
Jorge C.
Chora
10/12/2023
Ventos
fétidos
são
soprados,
e não há
cantos
do mundo defendidos,
por sopros
divinos:
são todos
malévolos,
enterrando a
ternura e o amor,
trazendo das
profundezas putrefactas
o terror, o
medo e a morte.
Reina a
loucura, o louvor aos sequazes,
a ameaça
insana, o desprezo pelo mundo,
a violação
das regras,
a impunidade
dos governos criminosos,
o gosto
pelas ameaças,
o apego à
maldade e à loucura feita normalidade.
JORGE C. CHORA
8/12/2024
Sem que para
ela olhasse,
nem pela sua
presença desse,
ela cara
feia fez.
Como não
queria
sofrer nenhum
revés,
quis que
todos pensassem,
não ser ela
que nele
algum
interesse mostrava,
sem ele
saber ou sequer suspeitasse,
dos
sentimentos dela por ele nutridos.
Jorge C. Chora
6/12/2024
Quando da
tasquinha vinha,
sempre uma
dor de barriga tinha.
A calça
baixava
e só por um
triz não as borrava.
A mesma árvore
fertilizava.
e todo o
mundo via,
que ela
desmesuradamente crescia
e ninguém o
motivo sabia,
só a árvore,
a razão conhecia.
Um dia, o
homem que da tasca à casinha ia,
a árvore não
fertilizou
e até de por
ali de passar deixou,
porque à
boleia a ir passou.
A árvore,
tristonha, de crescer parou
e há quem
jure tê-la ouvido lamentar-se:
-Será que ele,
outra árvore decidiu estrumar?
Jorge C. Chora
2/12/2024