quinta-feira, 14 de maio de 2026

AS MÃOS E OS BEIJOS


As mãos dadas,

são uma ligação

a quem amamos.

Elas transmitem-nos

o calor corpóreo,

a posse mútua

desejada e visível.

 a ternura proporcionada,

nos toques desejados e sentidos.

e por isso se beijam amiúde,

a qualquer hora do dia ou da noite,

em todas as estações do ano,

quer faça chuva, quer faça sol.

          Jorge C. Chora

            14/5/2026

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A VIDA E O PESSEGUEIRO


A vida é como uma árvore de fruta caduca,

tal como o pessegueiro.

Cresce com cuidados,

veste-se de rosa,

branco ou vermelho

e d’outras cores chamativas,

como os jovens na flor da vida.

Os seus frutos são suculentos e apreciados,

mas no outono da vida,

as suas lindas folhas

murcham e caem.

Mas a vida renasce com a polinização.

A sua herança,

cresce à vista de todos

e com os devidos cuidados,

não deslustra os seus antepassados,

podendo até superá-los.

 

     Jorge C. Chora

       11/5/2026

sábado, 9 de maio de 2026

A LISBOA D'OUTRORA E A D'AGORA

 

Na Lisboa d’outrora,

falava-se de janela para janela.

D. Zélia pedia à vizinha:

- Tens coentros Luísa?

- Tenho, queres cá vir ou vou aí

levar-te, falamos um pouco

 e bebemos um copito?

E a conversa decorria amena

e picante se fossem novas,

ou sobre o sermão do velho cura

se fossem mais idosas.

Na Lisboa d’agora,

 já não é mau darem-se os bons dias,

 ao cruzarem-se no elevador,

e uma olhadela rápida,

ao modo como vão vestida(os)

E há quem goste mais da Lisboa d’outrora,

do que a d’agora

e quem adore as modernices d’agora

e deteste o retrocesso d’outrora,

sem perceberem que continuam a coexistir,

embora em diferentes locais da cidade,

as duas Lisboas: as dos bairros e as d’agora.

                           Jorge C. Chora

                                9/5/2026

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O COGUMELO

 

Oi! Cogumelo!

-Chamo-me Melo

e não cogumelo!

Vê se atinas ó parolo!

-Está bem Cogumelo.

Todos os dias algum camelo,

o chamava de Cogumelo.

Passaram-se anos e o flagelo

persistiu apesar do apelo.

Um dia encontrou Consuelo,

antiga colega espanhola,

que o saudou com um ósculo

e exclamou:

-Há anos que não te via Cogumelo!

- Olha que ainda hoje não sei,

 por que me alcunharam de Cogumelo! -confessou Melo.

-Lembras-te de quando vocês competiam

a ver quem urinava mais longe?

As miúdas da turma observavam-vos às escondidas

e tu tinhas “aquela coisa” parecida com um cogumelo!

Olha, a propósito, como te chamas afinal?

- Fui ao registo e mudei o apelido de Melo para Cogumelo!

                 Jorge C. Chora

                     7/5/2026

 

sábado, 2 de maio de 2026

SEM SENTIDO

 

Na vida duas certezas há:

a do fim ser certo,

e não existirem certezas,

sobre a forma como a vida

se vai desenrolar, pois

ela é feita de mudanças.

Perante as incertezas,

tratar mal quem pode morrer,

hoje ou amanhã,

inclusive nós, qual o sentido

das animosidades que nutrimos

uns pelos outros?

    Jorge C. Chora

        2/5/026

domingo, 26 de abril de 2026

OLHARES D'AMOR

 


Beijos na ponta do nariz da amada,

são amor,

tal como os lábios colados às suas mãos,

ou os sussurros de bem-querer,

aos ouvidos docemente murmurados.

Mas o olhar, meu Deus,

digam o que disserem,

tudo diz,

tudo confessa,

tudo transmite,

como tudo devolve em dobro,

se o amor que nos têm

é idêntico ao que no nosso olhar veem.

        Jorge C. Chora

          26/4/2026

sábado, 18 de abril de 2026

AS PÉTALAS DA DOCE SOFIA



Ao olhar-me,

vê-se refletida

nos meus olhos,

não como é,

mas em forma de

duas rosas em cada pupila.

Não estranha que eu colha

o seu aroma, no seu pescoço,

lhe sussurre aos seus ouvidos

o quanto gosto do seu perfume

e lhe confesse, ao alcançar

os seus seios e umbigo,

ser envolvido por um, ainda

mais doce aroma a rosa mosqueta.

À medida que alcanço a sua fonte pilosa

e a sua divina porta do paraíso,

suportado por dois maravilhosos

pináculos, liberto-a

das pudicas pétalas que a revestem,

e logo em voz trémula e sumida,

me confessa e suplica:

- É agora!

Jorge C. Chora

   18/4/2026