sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O PRESENTE DA LUA



-A Lua avó?
-Está no céu,
escondida por ainda ser dia…
-Vai buscá-la …
E a avó ergue os braços ao céu,
abre uma mão e traz um
seixo mais branco
do que a lua cheia,
 dá-o à neta e diz:
-A Lua não pôde vir
mas pediu à sua neta
que viesse brincar com a minha.


Jorge C. Chora

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A MINHA BELA FEITICEIRA



Oh! Que feitiço é o teu,
minha bela feiticeira,
que eu não passo sem ti?
Promete-me, por favor,
 nunca o esqueceres,
 repeti-lo sempre que quiseres,
até ao dia em que te apetecer.
Oh! Minha bela feiticeira,
nunca esqueças o feitiço
que me colocou a teus pés.


Jorge C. Chora

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PEDIDO


Junta as tuas mãos
em concha, às minhas,
e matar-te-ei a sede
tal como tu a minha.
Se for sôfrego,
perdoa-me, só desejo
que também o sejas comigo.
Sê desavergonhadamente minha
como eu sou teu.


Jorge C. Chora

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

OS CIÚMES RESIDEM NO INFERNO



Se os ciúmes residem no inferno,
nem todos os amores moram no céu.
Banidos estão os amantes do alheio,
assim como os adoradores do vil metal,
sem esquecer os invejosos,
os que amam as guerras,
e os que fingem amar a mulher dos outros.
Afinal se são muitos os quereres
que moram no inferno
e só os amantes no paraíso,
onde moram os que desconhecem
a doce alquimia do amor?


Jorge C. Chora

domingo, 8 de outubro de 2017

VIDA DE PAGÃO,ESPERANÇA DE CRISTÃO



Em Albufeira descobrimo-nos pagãos,
adoradores(as) de deusas(es) de pele dourada,
enxotadores de faunos,
apreciadores(as) de bosques frondosos,
frequentadores(as) de capelas
onde em vez de preces, missas e sermões,
acedemos à cerveja e ao mel
que bebemos, desde já,
à saúde da nossa futura e mais do que certa conversão,
na senda dos nossos sapientíssimos servidores do Divino,
que notam e bem, tal como disse o Padre Tolentino de Mendonça:
 “Em todo o cristão, há um pagão” .


Jorge C. Chora

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

DESEJO


Se tu queres,
o que eu quero,
fica sabendo, seres tu   
a quem desejo beijar.
Não há nada
que possamos fazer
de mais acertado,
do que selarmos
com um beijo o nosso desejo,
quando acabar de contar até três:
um. dois…hum que bom
é o nosso beijo.


Jorge C. Chora

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O MICRO CÃO



O cão era tão, mas tão pequeno, que apodá-lo de micro cão seria mais do que adequado. A sua dona, sempre receosa de que o pisassem, não o deixava andar no chão:  levava-o sempre ao colo.

Os medos que a dona padecia só de imaginar o que poderia suceder ao bicho, produziam-lhe poderosas enxaquecas. Sofria como poucas sofreriam e mais ainda do que qualquer outra, porque era por antecipação que acusava os males de que o bichano podia vir eventualmente a ter ou a acontecer-lhe.

Compadecida do fraco ladrar da amostra, tomou a resolução de o ajudar nessa urgente tarefa.
Ei-la que no meio da multidão, ladrava e torna a ladrar, demonstrando ao pequenote a urgência e a arte de ladrar, poupando-o ao esforço e à chacota dos seus semelhantes.

Neste exacto momento, rodeada por uma multidão, rosna com quanta força tem, pretendendo ensinar-lhe o modo de se fazer respeitar no mundo canino. E o seu empenho é tal que em seu redor se abriu uma clareira e passado algum tempo, surgiram três possantes homens trajando batas brancas. Enfiam-na numa camisa de forças, e apertam-na cada vez mais, à medida que o seu rosnar se intensificava.

Meus amigos, nunca tentem ensinar os vossos animais de estimação de quatro patas a rosnar!

Jorge C. Chora