quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DONALD?

   
Numa nação de
imigrantes,
Donald Trump
não se sente
como tal.
Se não é índio
nem deles descende,
e se por eles não
foi convidado,
é um ilegal,
mas nem por isso foi
escorraçado.
Numa nação multicultural,
que quer ser
um farol de liberdade,
e exemplo  mundial,
é no mínimo estranho,
que um candidato “snob”
não veja que,
não é sapato
para tão grande pé
e que os republicanos
não lhe dêem, desde já,
 o que ele merece:
um grande pontapé.

Jorge C. Chora



domingo, 16 de agosto de 2015

O SINO



O sino chamou-lhe a atenção, entre os vários objectos existentes na prateleira da loja: pequeno, sem ser minúsculo, de bronze e com um apoio para poder ser fixo. Era ideal para a sua futura casa de campo.

Inteirou-se do seu preço e arrepiou-se. Temeu não ter consigo o dinheiro suficiente. Rebuscou os bolsos e foi à justa que conseguiu comprá-lo.

Passados alguns anos construiu a almejada casa. À entrada, no pilar esquerdo do portão, pendurou o sino. Sempre que saía ou entrava, tangia-o e quase o acariciava. Adorava o som e à medida que o tempo passava mais dele gostava. Quando chovia, apressava-se a limpá-lo.

Um belo dia, ao regressar a casa, deu pela sua falta: tinham-no roubado, assim como ao respectivo apoio.

Meses depois, uns amigos contaram-lhe que numa determinada terra havia um sino, em tudo semelhante ao seu, com fama de ter sido roubado. Acontecia no lugarejo um estranho fenómeno, pois a população tocava-o de hora a hora. Os “donos” do sino, furiosos com a questão, envolveram o badalo num pano, mas isso não evitou que ele continuasse a ser tocado  às horas e meias horas. Mudaram-no para as traseiras da casa e ainda foi pior, porque ele soava para além das horas anteriores também aos quartos de hora.

Saturados com o que se estava a passar, os falsos proprietários, após uma rápida troca de opiniões, resolveram desmontá-lo e deixá-lo à porta da casa do verdadeiro dono.

O legítimo proprietário ao vê-lo, recolheu-o e colocou-o numa varanda a que só ele e a família tinham acesso. Agora todas as manhãs faz soar o sino para comemorar o magno acontecimento diário: o nascer do sol.

A família, exasperada com o toque de alvorada, pensa seriamente na hipótese de dar sumiço ao maldito sino,não falando na vizinhança.


Jorge C. Chora

sábado, 15 de agosto de 2015

A PROPÓSITO do SIGNIFICADO da PALAVRA "ALGODIO"


A praia do Algodio é uma das praias da Ericeira. Desde há muito que tenciono saber qual o significado da palavra”Algodio”. Tenho-a procurado nos mais diversos dicionários ,incluindo os enciclopédicos, “O Elucidário” de Sousa Viterbo, nos livros sobre a Ericeira, junto de entidades culturais locais e também dos residentes, mas sem sucesso.
Vem isto a propósito de me ter dirigido, muito recentemente, a um residente bastante idoso, já com dificuldade em andar, sem nenhum dente à vista, diria mesmo, com algum exagero, um rival de Matusalém e lhe ter colocado a minha velha questão e recebido a resposta:
-Isso é uma praia daqui da Ericeira!
-Desculpe-me, o que eu queria saber era qual o significado da palavra “algodio”.
-Oh! Isso só uma pessoa muito, mas muito mais velha é que o poderá informar!
Mais uma vez fiquei sem saber o significado do termo e pelo andar da carruagem, encontrar alguém ainda mais idoso do que o meu simpático interlocutor, afigura-se-me uma tarefa dificílima…mas quem sabe!
Enquanto há vida, há esperança…
P.S.- A minha mulher, Maria Adelaide Chora, também interessada nesta matéria, acabou horas depois, por consultar o Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, da autoria de Adalberto Alves, Imprensa Nacional-Casa da Moeda e encontrou o termo:
Algodio - Top.(Mafra) = Algodeia
Algodeia –Top. (Setubal)=do árabe al-qut’a,”a fracção de terra”,”o lote de terreno”
Tomo como bom o significado, até aparecer prova em contrário.

Jorge C. Chora


sábado, 1 de agosto de 2015

O PROFETA


Largou o calhamaço em cima da mesa e esta vergou devido ao seu peso. Pousou a mão sobre ele, afivelou um ar sério e num tom de voz tonitruante falou assim à assembleia:

-Com a autoridade que me dão as minhas leituras e reflexões, cabe-me esclarecer, bom povo aqui presente, que há só um modo de vencer a crise: é pelo trabalho árduo, pelo suor derramado. Mas este suor de que venho falar-vos, é mais do que uma figura de estilo. É ele que vos vai ajudar a ganhar, desde este momento, o dinheiro que tanta falta vos faz.

A assembleia agitou-se e redobrou a atenção.

-Como fazer? Tomem o máximo de atenção, pois é preciso cumprir algumas normas. O primeiro passo é inscreverem-se naquela mesa e pagarem uma quantia simbólica. O segundo é comprarem, por um preço acessível, uma proveta com a qual recolherão todas as gotas de suor possíveis, sejam vossas ou de outrem. A que se destinam essas gotas de suor? Devem ser entregues na fábrica de essências, pois com elas se farão perfumes, bastando inscreverem-se como compradores dos mesmos, para constarem na lista de fornecedores da matéria-prima. Os primeiros mil a inscreverem-se, terão direito, mediante o pagamento de uma módica quantia, a serem vendedores da fábrica.

Uma multidão desesperada avançou para a mesa de inscrições de modo desordenado, lançando o cartapácio ao chão. O neto de um dos assistentes, mira o alfarrábio e grita sem parar:

-O livro não tem nada escrito! Nem uma linha!

Quando a multidão tornou a olhar para a mesa do orador, já ele lá não estava e pairava no ar um cheiro a enxofre.


Jorge C. Chora

sábado, 11 de julho de 2015

O HOMEM QUE RECUSAVA DAR



Fui ao parque esticar as pernas,
mas foram os braços e os ouvidos
 os que mais se cansaram, tantos os
pedidos de moedinhas que ouvi,
e alguns a que atendi.
O pior estava para vir, ao ver
a mendigar, um homem que nos cafés
costumava bradar,
mesmo para quem o não desejasse ouvir,
que não dava nada a ninguém,
pois bastava ter saúde para trabalhar,
e só não o fazia quem não queria,
e se ria quando lhe perguntavam:
-E onde é que há trabalho ?
-Procure que encontra…-respondia.


Jorge C. Chora


terça-feira, 7 de julho de 2015

MARIA BARROSO


A morte bateu-lhe à porta,
mas foi  advertida
de que as lutadoras não morrem:
Deixam o exemplo das suas vidas !
D. Liberdade, D. Igualdade, D. Justiça
 e a D. Democracia, por saberem
como ninguém, da importância
desses valores, não deixam de estar
enlutadas,  por uma das filhas dilectas
na defesa dessas  causas, a quem
o seu amor sempre disse:
Presente!


Jorge C. Chora

segunda-feira, 6 de julho de 2015

OXI

                
Contorce-se furiosa
a Europa de Golias,
tal a pedrada
certeira
do pequeno David.
Às ameaças várias,
a pequena grande Grécia,
sem se amedrontar
 respondeu:
Oxi !
Às injúrias e ataques
peçonhentos,
 ergueu-se e disse:
Oxi !
Aos acordos dignos,
 que respeitem
o seu desenvolvimento,
 saberá  responder:
Nai!
Aos outros, aos da
submissão, ficou,
desde já,
sem temor, nem tibiezas
o aviso do povo grego.
Oxi!

Jorge C. Chora