sexta-feira, 20 de março de 2026

AS ANDORINHAS

 


Bandos de andorinhas

andam num vai e vem frenético,

de cá para lá e vice-versa,

em busca da primavera,

mas não encontram os sinais

 desejados.

Rajadas de ventos,

tempestades e chuvas

intermináveis, recebem-nas,

 e afugentam-nas,

para as bandas donde vieram.

Ansiosas por construírem os seus ninhos

e da pacatez tradicional,

estranham os telhados voadores,

o desmoronar de casas,

as inundações dos campos,

 a escassez de comida,

as nuvens de infectos voadores,

varridas para outra bandas.

E vão e voltam na esperança

de que algo se altere,

mas até ao momento,

veem goradas as expectativas,

e continuam no seu vai e vem desesperado,

à espera do bom tempo

 e do apaziguamento das tempestades,

tal como nós.

esperando o fim do tormento.

E a primavera chegou

 e as andorinhas ainda não vieram!

        Jorge C. Chora

quinta-feira, 19 de março de 2026

NÃO BASTA SER RICA E BELA

 

O Bentley parava religiosamente às dez horas em frente ao café.

O motorista abria a porta a uma mulher alta, com um olhar semelhante à da Anne Hathaway e uma figura tão bonita como a da Bruna Lombardi.

Logo a seguir saía um homem, com ar distinto, a quem a mulher dava o braço.

O curioso é que o homem que a acompanhava diariamente, nunca era o mesmo.

Os frequentadores do café assistiam intrigados àquela troca de cavalheiros.

--O que se passava afinal? Seria dona de um harém?

O casal, sentado à mesa, mal tinha trocado uma palavra quando o cavalheiro se esquivou de um copo, atirado contra ele pela bela que o acompanhava. Se não fosse a sua perícia a evitar o arremesso, teria sido atingido na cabeça.

Ele sorriu e impávido, tomaram o pequeno-almoço. Mal acabaram de comer, dirigiram-se para o carro, o cavalheiro abriu-lhe a porta, disse-lhe adeus e partiu.

Estava explicado o vai e vem dos cavalheiros.

O que ninguém soube, é se os outros tiveram tanta sorte como este em desviarem-se dos arremessos.

Jorge C. Chora

19/3/2026

 

sábado, 14 de março de 2026

VERMELHA É A FLOR DE QUEM AMA

 

É flor rainha

do amor,

encanta pela cor,

a todas ganha,

pelo aroma,

e pela preferência

de qualquer dama,

ao recebê-las de quem ama.

É a rosa dos amores,

põe de parte os temores,

e as eventuais dores,

e receios de bastidores.

É simplesmente,

 uma miraculosa rosa.

  Jorge C. Chora

    14/3/2026    

quarta-feira, 11 de março de 2026

INSUPORTÁVEL

 

Ressoam tambores iniciando,

não o princípio de festejos,

mas anunciando a cada batida,

cem mortes,

e a cada silvo,

outros tantos e infindáveis,

fins de vida.

Em vez de festas,

assiste o mundo,

ao roubo de terras,

empapadas em sangue,

que anexam,

sem nunca terem sido suas,

conjuntamente com as riquezas

nelas contidas,

sejam minerais raros, petróleo

ou simplesmente,

pelas suas localizações estratégicas.

Se por cada morte,

cinicamente,

enviassem um ramo de flores,

não haveria jardins ou estufas suficientes,

para satisfazer a procura,

face às chacinas.

        Jorge C. Chora

         11/3/2026

domingo, 8 de março de 2026

 

Do nascer ao pôr do sol,

estamos rodeados de mulheres.

Deo gratias.

 

Jorge C. Chora

  8/3/2026

sexta-feira, 6 de março de 2026

AS CHAVES DO CÉU


Em torno de um triângulo

 demoníaco,

se alcança o acesso ao céu

e ao paraíso, de sapos e outros batráquios:

o dinheiro, a cunha e o nepotismo.

Se essas chaves se tornassem líquidas,

fariam inveja ao Mississípi,

quiçá ao próprio Amazonas,

ambientes húmidos e propícios,

aos seres de pele viscosa,

escorregadios e peçonhentos,

incapazes de aceder a cargos,

exceto se tiverem acesso ao dito triângulo.

 

                 Jorge C. Chora

                      6/3/2026

domingo, 1 de março de 2026

GOSTO DE MULHERES ASSIM

 

GOSTO DE MULHERES ASSIM

 

Simples e sofisticadas,

cumprimentando com

dois beijos em vez

de com a mão estendida,

flácida e fria como a gelatina,

sabendo dizer obrigado

aos elogios sinceros,

mesmo partindo do mais bruto(a).

Malandra e capaz de rechaçar,

com elegância, os piropos maldosos,

provenientes de seres que cultivam

a bazófia, saídos das capoeiras e redis,

habituados a servirem-se das galinhas e ovelhas.

Adoro mulheres simples e sofisticadas,

bondosas também,

que não alardeiem a sua cultura a propósito

de tudo e de nada e tratem de modo afável,

tanto o sábio como o ignorante.

Gosto mesmo de mulheres simples, sofisticadas,

e bondosas também.

Não me sinto culpado por gostar de mulheres assim!

                       Jorge C. Chora

                          1/3/2026