Na pança, o vento
do esgoto fedorento,
na cabeça, o fruto
do resíduo do intestino.
Num braço um Rolex
e no outro, um mais
caro para verificar
se aquele batia certo,
com a hora de ir ao agiota,
seu cérebro e testa de ferro,
os juros daquela semana
levantar.
Veio a crise e ninguém pagou,
os investimentos caíram a pique.
Descobriu nada ter,
e passar a ser funcionário do agiota,
o verdeiro rico que não usava anéis,
e no pulso um simples Casio de 5 euros.
Morreu de apoplexia o novo-rico,
e quando o seu caixão debaixo das janelas
transitou, ninguém uma lágrima derramou
e o agiota nem à janela assomou.
Jorge
C. Chora
18/10/2026
